<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1553956385968446220</id><updated>2011-11-27T17:01:24.261-08:00</updated><category term='Contos SCI-FI'/><category term='Amor e Dor'/><category term='O Ataque'/><category term='Mona'/><title type='text'>MLSevero</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://mlsevero.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1553956385968446220/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mlsevero.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Marcio Severo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11239858084654660451</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKT4bldFdCI/AAAAAAAAAE0/DLnUj70qwxs/S220/lobosolitarioavat.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>27</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1553956385968446220.post-7601465091139311329</id><published>2009-04-01T06:57:00.000-07:00</published><updated>2009-04-01T07:05:51.602-07:00</updated><title type='text'>Casa Nova</title><content type='html'>Pessoal, agora estou escrevendo como colunista do SeR e para comemorar o sucesso do primeiro mês do site, que alcançou mais de 75.000 páginas visitadas e cerca de 10.000 novos visitantes, estamos com uma excelente promoção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cadastre-se no forum, responda 10 tópicos e concorra a uma garrafa de um ótimo vinho escolhido pelo nosso enólogo Renato Pujadas, ao dvd Um Lugar Chamado Nothing Hill, com Julia Roberts e Hugh Grant e ao livro A casa dos budas ditosos, do João Ubaldo Ribeiro. 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Pelas janelas dos apartamentos o brilho intermitente das árvores de natal despeja alegria e felicidade pela noite. O som da musica, dos risos e das conversas em voz alta lembra que famílias estão reunidas em volta da mesa, festejando. Independente de qual religião seguem, todos estão comemorando e se unindo em preces, rezas, ou simplesmente abraços.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na rua João caminha sozinho e sem rumo. Sozinho na cidade ele sente falta de sua família e das festas de natal que passava entre irmãos, primos e tios. Caminha devagar, sem rumo e sem pressa de voltar para seu pequeno apartamento. Não olha para onde vai, apenas segue caminhando, um pé diante do outro. Caminhando e seguindo a rua vazia, ouvindo os risos e os cânticos de natal, querendo estar sentado em volta de uma mesa, brindando com a taça cheia de vinho.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se notar seus pés o levam até uma pequena loja de conveniências que ainda está aberta. Dentro alguns homens bebem cerveja e assistem na TV o especial de fim de ano. Estão em um silêncio soturno e triste. Todos eles querendo estar distante dali. Todos, como ele, sonhando com risos de criança e com presentes em baixo de uma árvore de natal.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;No balcão uma menina atende aos homens, contando as horas para fechar e correr para casa. O abraço de sua pequenina a espera. João senta-se num tamborete em frente ao balcão e pede um café. Por ali fica sem ter para onde ir. Deixando o tempo passar. Vendo a noite de natal por uma tela de TV.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aos poucos os homens vão se levantando e partindo. Cada um que sai deseja a todos um feliz natal e dá um beijinho na jovem, que sorri encabulada e deseja que tenham uma ótima noite. Já era tarde. O bar já vai fechar. João reluta em pagar a conta e voltar para a noite fria e solitária até que uma voz gentil lhe pergunta.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Oi, você já terminou?&lt;br /&gt;- Ah, desculpe. Terminei sim. Quanto eu te devo?&lt;br /&gt;- São só dois reais. É quase meia-noite. Você não vai para casa festejar?&lt;br /&gt;- Não sei. Acho que vou andar mais um pouco por aí.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma voz grave pergunta às suas costas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Você não tem para onde ir, filho?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;João se vira e fala para o homem que estava atrás dele, o dono da loja.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não. Minha família mora longe e eu não pude viajar para lá. E não quero ficar em casa sozinho. Vou andar um pouco.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A menina vira-se para o homem mais velho e diz.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Pai, ele não pode passar conosco?&lt;br /&gt;- Sim. Venha conosco, filho. Ninguém deveria ter que passar o natal sozinho.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Agradecendo muito João seguiu Alceu e Elvira até a pequena casa onde moravam. Sentaram-se em volta de uma mesa cambaia e comeram e beberam, riram e se divertiram. No lugar do grande Peru de Natal que sua mãe fazia para sua família, havia um pequeno frango. No lugar de vinhos, cidra e água. No lugar de muitas luzes e gente apenas um lampião no centro da mesa e Alceu, Elvira e a pequenina Julia, que passou a noite sentada em seu colo, até dormir aconchegada em seu peito. No chão a cachorrinha Banana brincava e abanava o rabinho peludo, pedindo um ossinho do seu frango.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;João olhou para aquelas pessoas e se sentiu tão feliz quanto seria possível. Era natal e no natal ninguém deveria ficar sozinho.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Feliz Natal e Próspero Ano Novo.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1553956385968446220-1046522469296086476?l=mlsevero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mlsevero.blogspot.com/feeds/1046522469296086476/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1553956385968446220&amp;postID=1046522469296086476' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1553956385968446220/posts/default/1046522469296086476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1553956385968446220/posts/default/1046522469296086476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mlsevero.blogspot.com/2008/12/natal.html' title='Natal'/><author><name>Marcio Severo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11239858084654660451</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKT4bldFdCI/AAAAAAAAAE0/DLnUj70qwxs/S220/lobosolitarioavat.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1553956385968446220.post-5405249382576670620</id><published>2008-12-21T15:23:00.000-08:00</published><updated>2008-12-21T15:25:34.824-08:00</updated><title type='text'>Mais uma parte de Mona</title><content type='html'>Postei mais um bom trecho do Mona, mas para manter a ordem do texto fui obrigado a colocá-lo no final do outro, com data mais antiga.&lt;br /&gt;Espero que gostem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[]s Marcio&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1553956385968446220-5405249382576670620?l=mlsevero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mlsevero.blogspot.com/feeds/5405249382576670620/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1553956385968446220&amp;postID=5405249382576670620' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1553956385968446220/posts/default/5405249382576670620'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1553956385968446220/posts/default/5405249382576670620'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mlsevero.blogspot.com/2008/12/mais-uma-parte-de-mona.html' title='Mais uma parte de Mona'/><author><name>Marcio Severo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11239858084654660451</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKT4bldFdCI/AAAAAAAAAE0/DLnUj70qwxs/S220/lobosolitarioavat.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1553956385968446220.post-5867533361986651991</id><published>2008-12-21T11:50:00.000-08:00</published><updated>2009-04-27T21:03:59.458-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amor e Dor'/><title type='text'>Espera</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SU6fRSE8CJI/AAAAAAAAAHE/nG39ditD-sg/s1600-h/waiting.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5282334532211312786" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 255px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SU6fRSE8CJI/AAAAAAAAAHE/nG39ditD-sg/s400/waiting.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Esse texto foi transferido para &lt;a href="http://www.mssi.com.br/"&gt;www.mssi.com.br&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1553956385968446220-5867533361986651991?l=mlsevero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mlsevero.blogspot.com/feeds/5867533361986651991/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1553956385968446220&amp;postID=5867533361986651991' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1553956385968446220/posts/default/5867533361986651991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1553956385968446220/posts/default/5867533361986651991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mlsevero.blogspot.com/2008/12/espera.html' title='Espera'/><author><name>Marcio Severo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11239858084654660451</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKT4bldFdCI/AAAAAAAAAE0/DLnUj70qwxs/S220/lobosolitarioavat.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SU6fRSE8CJI/AAAAAAAAAHE/nG39ditD-sg/s72-c/waiting.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1553956385968446220.post-1106622580066441346</id><published>2008-10-30T22:46:00.000-07:00</published><updated>2009-04-29T20:46:05.958-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amor e Dor'/><title type='text'>Obsessão</title><content type='html'>Este texto foi transferido para www.mssi.com.br&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1553956385968446220-1106622580066441346?l=mlsevero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mlsevero.blogspot.com/feeds/1106622580066441346/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1553956385968446220&amp;postID=1106622580066441346' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1553956385968446220/posts/default/1106622580066441346'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1553956385968446220/posts/default/1106622580066441346'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mlsevero.blogspot.com/2008/10/obsesso.html' title='Obsessão'/><author><name>Marcio Severo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11239858084654660451</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKT4bldFdCI/AAAAAAAAAE0/DLnUj70qwxs/S220/lobosolitarioavat.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1553956385968446220.post-6938395285739648408</id><published>2008-09-11T07:21:00.000-07:00</published><updated>2009-04-27T21:04:49.868-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amor e Dor'/><title type='text'>Vento</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SMkrjExfqtI/AAAAAAAAAG8/Td4761T1zH4/s1600-h/solid%C3%A3o.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5244771122626407122" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SMkrjExfqtI/AAAAAAAAAG8/Td4761T1zH4/s320/solid%C3%A3o.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt; Esse texto foi transferido para &lt;a href="http://www.mssi.com.br/"&gt;www.mssi.com.br&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1553956385968446220-6938395285739648408?l=mlsevero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mlsevero.blogspot.com/feeds/6938395285739648408/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1553956385968446220&amp;postID=6938395285739648408' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1553956385968446220/posts/default/6938395285739648408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1553956385968446220/posts/default/6938395285739648408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mlsevero.blogspot.com/2008/09/vento.html' title='Vento'/><author><name>Marcio Severo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11239858084654660451</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKT4bldFdCI/AAAAAAAAAE0/DLnUj70qwxs/S220/lobosolitarioavat.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SMkrjExfqtI/AAAAAAAAAG8/Td4761T1zH4/s72-c/solid%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1553956385968446220.post-9119228975092208153</id><published>2008-09-03T09:32:00.000-07:00</published><updated>2009-04-28T06:24:49.857-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amor e Dor'/><title type='text'>Praia</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SL6-nhcf4VI/AAAAAAAAAG0/XgujjrviQMY/s1600-h/pegadas.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5241836602507911506" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SL6-nhcf4VI/AAAAAAAAAG0/XgujjrviQMY/s320/pegadas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esse texto foi transferido para &lt;a href="http://www.mssi.com.br/"&gt;www.mssi.com.br&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1553956385968446220-9119228975092208153?l=mlsevero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mlsevero.blogspot.com/feeds/9119228975092208153/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1553956385968446220&amp;postID=9119228975092208153' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1553956385968446220/posts/default/9119228975092208153'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1553956385968446220/posts/default/9119228975092208153'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mlsevero.blogspot.com/2008/09/praia.html' title='Praia'/><author><name>Marcio Severo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11239858084654660451</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKT4bldFdCI/AAAAAAAAAE0/DLnUj70qwxs/S220/lobosolitarioavat.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SL6-nhcf4VI/AAAAAAAAAG0/XgujjrviQMY/s72-c/pegadas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1553956385968446220.post-8458326990165120301</id><published>2008-08-18T11:17:00.000-07:00</published><updated>2009-04-27T21:06:55.208-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amor e Dor'/><title type='text'>Vício</title><content type='html'>Esse texto foi transferido para &lt;a href="http://www.mssi.com.br/"&gt;www.mssi.com.br&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1553956385968446220-8458326990165120301?l=mlsevero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mlsevero.blogspot.com/feeds/8458326990165120301/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1553956385968446220&amp;postID=8458326990165120301' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1553956385968446220/posts/default/8458326990165120301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1553956385968446220/posts/default/8458326990165120301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mlsevero.blogspot.com/2008/08/vcio.html' title='Vício'/><author><name>Marcio Severo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11239858084654660451</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKT4bldFdCI/AAAAAAAAAE0/DLnUj70qwxs/S220/lobosolitarioavat.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1553956385968446220.post-1401787939386577433</id><published>2008-08-14T10:29:00.000-07:00</published><updated>2008-08-14T10:36:46.065-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mona'/><title type='text'>Mona - Capítulo 1 - pt 1</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKRtFb7skWI/AAAAAAAAADo/-J8EVQp_mnw/s1600-h/Mona_Girl.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5234428607076274530" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKRtFb7skWI/AAAAAAAAADo/-J8EVQp_mnw/s400/Mona_Girl.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Mona&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A tarde caía clara sobre a pequena aldeia de Nhagha. Da varanda de sua casa Simone observava os trabalhadores, que voltavam dos campos entoando canções de trabalho, carregando nos ombros as ferramentas que usavam para lavrar a terra, seguindo o curso sinuoso do grande rio que banhava o vale.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do grande ataque aéreo que devastou o planeta cinqüenta anos atrás, os poucos sobreviventes saíram das cidades rumo o interior, abandonando as grandes metrópoles, como Centauria, cujas ruínas Simone divisava ao longe, à sua própria sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o tempo a cidade virou um amontoado de destroços fantasmagóricos, que fascinavam e assustavam os aldeãos. Contavam-se histórias de sons e sombras que percorriam a cidade à noite. Diferente do que acontecia com os demais, as ruínas fascinavam a jovem Simone. Foram inúmeras as vezes em que ela escapou da vigilância de sua mãe e correu para o centro da cidade onde sentava sozinha no que restava da antiga biblioteca e sonhava com amores impossíveis, com grandes espaçonaves de batalha sobrevoando a cidade, com vida e morte, amor e traição, com os grandes heróis daquele tempo. E lá usando uns antigos leitores que ainda funcionavam precariamente, ela sozinha aprendeu a ler e a escrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos quinze anos, Simone era uma menina alta, magra e com longos cabelos castanhos que caíam em ondas sobre seus ombros estreitos e frágeis, sua pele ela clara, mas queimada pela irradiação dos dois sóis de Centauri, o que lhe dava uma bela aparência de vitalidade e saúde. Sua beleza exótica era realçada pelos lábios vermelhos, não muito grossos nem muito finos, que quando se abriam em um sorriso eram capazes de desarmar o homem mais raivoso. Seu rosto era fino, com maçãs altas e bem definidas. Seu pequeno nariz arrebitado era pontilhado de pequenas sardas, que lhe conferiam uma aparência faceira e divertida. Mas sua principal característica eram seus olhos, de um verde intenso e brilhante, olhos que viam dentro da alma dos homens. Poucos na vila eram capazes de sustentar por muito tempo o seu olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mona, como ela era chamada pelos irmãos mais novos, era uma exceção no mundo de lavradores, simples e ignorantes que se formou em Alfa-Centauri depois da grande destruição. Poucos, como ela, conseguiam entender o que acontecia a sua volta, sem se voltar para as supertições e crendices que o padre da vila fazia questão de espalhar. Para eles Mona era um grande mistério. Os mais velhos a temiam, os mais novos a amavam. Poucos conseguiam estar com Mona sem ser tomados por sentimentos profundos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;-------------------------------------------*****----------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nesta tarde Mona esperava ansiosamente a chegada da nave de transporte que vinha de Luyten. Morten Lindsor, o velho correspondente de guerra, viria para visitar seus pais, no que era para Mona o maior evento do ano. Desde a mais tenra infância ela se acostumara a sentar-se ao lado do velho amigo e ouvi-lo contar suas aventuras pelo espaço longínquo, falar sobre os lugares que conheceu, os perigos que enfrentou, as mulheres que amou e sobre o grande ataque, quando perdeu sua filha, Liana. Mona muitas vezes sonhou com Ceres e Francesca, com Juhani e com Milena, e acima de tudo, com Liana. Muitas vezes viu a si mesma no lugar da jovem filha do velho Morten. E pensar que seu pai quase o matou naquele dia, cinqüenta anos atrás. Até hoje os dois riem às gargalhadas de seu encontro nos dutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois que a grande guerra acabou, Monten Lindsor retornou a Centauria e procurou os sobreviventes, ofereceu ajuda e foi um dos responsáveis pela criação da vila de Nhagha, onde seu pai era, desde então, o principal líder. E todo ano ML vinha visitá-los e passar alguns dias com eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como sempre a chegada de ML foi uma festa para a sua família. Aos oitenta anos de idade o velho repórter ainda conservava um tanto da vivacidade que o caracterizavam, mas este ano mona reparou o quanto ele havia envelhecido. A morte de May Lin no ano passado o abatera. Profundas rugas se formaram em seu rosto. O seu olhar não tinha mais o mesmo brilho. Mona sentiu pena do velho amigo de seu pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia antes de ML partir, seu pai chamou-a na sala para uma conversa a dois. Depois de um tempo observando-a seu pai falou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Minha filha querida, você está tão crescida. Eu tenho pensado muito em seu futuro e conversado com sua mãe. Achamos que você merece muito mais do que essa simples vila de lavradores. Eu pedi a ML para levá-la para Luyten, onde você poderá estudar e aprender uma profissão. Se você quiser ir ele terá muito prazer com a sua companhia, agora que ele está novamente sozinho. Você quer ir para Luyten com o tio ML?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mona não respondeu ao seu pai. Apenas um beijo e um abraço foram respostas mais do que suficientes. Ambos sabiam o quanto a menina queria ir embora de Nhagha. Dois dias depois Mona partiu de Centauri, para onde voltaria apenas uma única vez na vida, cinco anos depois, para trazer as cinzas de ML que ela, sozinha, espalhou nas ruínas da antiga cidade, onde tinha certeza que voltariam para junto de sua filha, Liana. Durante os cinco anos que conviveram ML foi como um pai para ela, e Mona sentiria falta de seu melhor amigo pelo resto de seus dias. Ao morrer ML deixou para Mona todos os seus bens. De certa forma Mona sentia que ela também fora para ML uma filha, como Liana.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sete anos depois, Mona se formou na escola de paleo-alienismo de Luyten. Ela sabia que essa não era uma profissão das mais rentáveis, mas o que ML deixara era mais do que o suficiente para ela viver bem pelo resto da vida, de forma que poderia se dar ao luxo de fazer o que queria. Mona sempre fora uma menina voluntariosa, e agora, aos vinte e dois anos de idade, havia se tornado uma mulher extremamente decidida. Mona também tinha plena consciência de sua beleza e feminilidade. E isso a agradava. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1553956385968446220-1401787939386577433?l=mlsevero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mlsevero.blogspot.com/feeds/1401787939386577433/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1553956385968446220&amp;postID=1401787939386577433' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1553956385968446220/posts/default/1401787939386577433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1553956385968446220/posts/default/1401787939386577433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mlsevero.blogspot.com/2008/08/mona-captulo-1-pt-1.html' title='Mona - Capítulo 1 - pt 1'/><author><name>Marcio Severo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11239858084654660451</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKT4bldFdCI/AAAAAAAAAE0/DLnUj70qwxs/S220/lobosolitarioavat.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKRtFb7skWI/AAAAAAAAADo/-J8EVQp_mnw/s72-c/Mona_Girl.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1553956385968446220.post-2449258014960268648</id><published>2008-08-14T10:28:00.000-07:00</published><updated>2008-08-14T11:19:24.735-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mona'/><title type='text'>Mona - Capítulo 1 - pt 2</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKRvHTVARhI/AAAAAAAAADw/kjXPXExFRRk/s1600-h/Mona_MY_LAB.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5234430838149498386" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKRvHTVARhI/AAAAAAAAADw/kjXPXExFRRk/s320/Mona_MY_LAB.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O ar tremulava levemente em virtude do calor opressivo daquela tarde de verão. Sentada em sua mesa de trabalho Mona observava os poucos alunos que ainda permaneciam no laboratório de datação da universidade de Luyten. Estivera ali todo o dia, estudando um espécime que lhe fora enviado por um conhecido de Fidis, no sistema estelar de Vega, a mais de vinte mil anos luz de Alfa-Centauri. Havia uma grande chance de o fóssil de ser de um animal alienígena com alguns milhões de anos, e ela não tinha autorização para ir até o local onde fora descoberto para verificar a sua autenticidade. Era desesperador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que Fidis ficava no ponto habitado por humanos mais extremo do universo, onde imperava a lei do mais forte e da pirataria. Os riscos de uma viagem até tal lugar seriam enormes. A administração da escola nunca aprovaria uma expedição como essa. O que fazer? Decidida a empreender a viagem de qualquer forma Mona se muniu de toda a paciência que possuía e seguiu para a sala do doutor Ambrósio, o diretor de pesquisas. Ele sempre foi muito gentil e talvez ela pudesse dobrá-lo. Não custava nada tentar. Antes de entrar na sala do diretor, Mona armou seu mais lindo sorriso e se fez anunciar. A conversa não foi tão tranqüila quanto ela poderia desejar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mona, minha aluna preferida, que bom vê-la. O que posso fazer por você?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Olá professor, tudo bom com o senhor? Faz muito tempo que não venho visitá-lo, por isso resolvi dar uma passada aqui para te ver. - respondeu a moça com um sorriso angelical. O professor arqueou as sombrancelhas e a olhou com ar de desconfiança.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Minha querida Simone Lindor, nos últimos sete anos você veio me visitar apenas duas vezes, e em ambas era por que desejava alguma coisa de mim. O que você quer agora?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Professor, o senhor soube do espécime que recebi esta semana?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Sim, claro. É verdadeiro? Você já conseguiu descobrir alguma coisa a seu respeito?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Sim, os exames mostraram que provavelmente é uma espécie alienígena, que viveu em Fidis há cinco ou seis milhões de anos. É possivel que tenha sido dotada de alguma forma de inteligência avançada. Não diria tão avançada quanto a humana, mas quase.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Interessante. E nós nunca tínhamos pensado em pesquisar por lá, não é? É uma pena que Fidis fique bem no meio da região excluída. Gostaria de poder mandar um grupo para pesquisar o local onde ele foi achado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Pois é, professor. É justamente por isso que eu vim falar com o senhor. Eu gostaria de ir até lá fazer essa pesquisa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Minha querida, isso é absolutamente fora de cogitação. Toda a região de Vega foi definida como área de exclusão por causa dos constantes ataques de piratas e mercenários. Nenhuma nave que se aventure por lá tem suporte da Confederação. Não existem missões de socorro, nem apoio diplomático para a região. Lá é mundo de ninguém. Eu nunca autorizaria uma missão da escola nessas condições.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Mas professor, nós vamos jogar fora uma fonte como essa só por causa de alguns piratas?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Minha filha, você não tem a menor noção do que está falando. Não se trata de alguns piratas, mas de seres que mal podemos continuar a chamar de humanos. São homens cruéis, sem nenhum escrúpulo, nem piedade. Eles atacariam uma missão de pesquisadores com a mesma tranqüilidade que atacam um prato de comida. Eu gostaria muito de poder fazer alguma coisa por você, mas o que você está me pedindo é totalmente fora de questão.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Mas professor!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não insista. Por favor, não insista e tire essa idéia da cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mona saiu da sala do diretor frustrada e decepcionada. Mas, uma garota decidida como ela não se deixaria abater por um pequeno imprevisto. Ela daria um jeito de ir até Fidis. Entraria em contato com Malman e pediria ajuda. Ele morava lá, havia lhe enviado o espécime e poderia ajudá-la a continuar as pesquisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falar com Malman foi ainda mais frustrante que com o professor. O velho amigo de Morten se mostrou irredutível e nem quis ouvir os seus argumentos. Segundo ele de forma alguma Mona deveria ir até Fidis, sob risco de morte. E esse era o menor dos riscos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mona, você não tem idéia de como é isso aqui. Tire essa idéia da cabeça.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Mas você mora aí, e está vivo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Você não imagina o quanto eu tenho que fazer para me manter vivo. Você acha que eu não quero partir? Acontece que dificilmente uma nave consegue quebrar o cerco dos piratas. Até hoje eu me impressiono com o fóssil ter chegado a você. E seu eu imaginasse que ele poderia provocar uma idéia destas, eu o teria jogado no fogo. Por favor, você sabe o quanto eu gosto de você. Não faça isso de forma alguma, nem em pensamentos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Se tio Morten estivesse vivo ele me daria apoio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Morten Lindsor podia ser um pouco louco, mas não era inconseqüente. Ele gostava muito de você e nunca permitiria que você colocasse sua vida em risco desta forma. Por tão pouco.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não é pouco. Você sabe o que essa pesquisa representa para o palio-alienismo? Pode ser um elo entre nós e os seres alienígenas que habitavam Vega antes dos humanos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Mesmo assim. É muito pouco.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Mas que droga. Será que eu vou ter que fazer tudo sozinha?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Mona, um fóssil não vale a sua vida. Pense bem, os riscos são muito grandes para valer a pena.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ta bom, eu vou pensar nisso.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Por favor, não venha.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Tá, eu já ouvi.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- É. Nada entra na sua cabeça mesmo, não é? Se você vai mesmo fazer essa loucura então pelo menos antes de partir me envie todos os dados de sua viagem para que eu possa monitorá-la. Vou precisar de sua rota e da identificação de sua nave. E de todas as datas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ah, Malman, obrigado!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não, eu simplesmente não posso fazer nada para impedir. Você é completamente louca.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Brigadão! Eu te adoro! Beijos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Adeus Mona.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Até breve. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;---------------------------- * ----------------------------&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKR0wXLD67I/AAAAAAAAAD4/RzNrvaa440E/s1600-h/Mona_depart.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5234437041114311602" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKR0wXLD67I/AAAAAAAAAD4/RzNrvaa440E/s320/Mona_depart.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Nas semanas seguintes Mona se preparou para a viagem, tomando o máximo de cuidado com os pequenos detalhes, tentando prever todas as suas necessidades nos meses em que estaria sozinha em pleno espaço, exatamente como havia aprendido com tio Morten.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mandou equipar a velha nave de ML com as armas civis mais poderosas, trocou os escudos, já bastante antiquados, por modelos mais novos. Comprou suprimentos em quantidade suficiente para uma viagem de um ano e com a ajuda de um colega da universidade, que entendia de navegação, traçou a rota mais segura de Luyten para Vega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vários amigos vieram procurá-la, pedindo ansiosos que ela desistisse da viagem, mas Mona os ignorou. Quando colocava uma coisa na cabeça era quase impossível alguém demovê-la. E nesse caso ela estava irredutível. No fundo ela sabia que não se importava tanto assim com o tal fóssil. Na verdade o que Mona Lindsor, ela havia adotado o sobrenome do tio Mortem após a sua morte, queria era aventurar-se. Lançar-se solitária pelas galáxias. E isso o tio Morten compreenderia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O céu escuro prenunciava tempestade na manhã que Mona partiu de Luyten rumo à constelação de Vega e finalmente a Fidis, seu destino final. Estava confiante de que a viagem seria tranqüila, afinal era uma exímia piloto e estava habituada a viajar pelo espaço. Rapidamente executou os procedimentos de decolagem e após a autorização da torre de comando acionou os propulsores traseiros e rumou em direção à estratosfera. Sua passagem pela estação de controle de imigração de Luyten foi tranqüila e apenas algumas horas após a decolagem a nave já estava tomando sua rota rumo à zona de exclusão e ao perigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelos planos que ela havia traçado seria possível chegar a Fidis em pouco menos de seis meses. A maior parte do tempo viajando em regiões seguras e policiadas. Nada havia a temer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando estava passando por Epsilon-Eridani, no entanto, Mona se viu frente a frente com um ataque de piratas a um comboio comercial. Seguindo os ensinamentos de ML ela rapidamente procurou um grupo de asteróides onde se esconder, ligou os escudos e os sistemas anti-rastreamento, que impediria os piratas de detectá-la e pelo sistema de telescópios se pôs a observar a cena que se desenrolava à sua frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pilotos da escolta lutavam com ferocidade, tentando levar os piratas para longe dos cargueiros, enquanto as gigantescas naves de transporte se afastavam, tentando chegar a um ponto de salto próximo. Mas antes que estas atingissem o portal, novas naves piratas surgiram e atacaram o comboio por todos os lados e ao mesmo tempo. Feixes de luz brilhavam na escuridão, iluminando o rosto da jovem, que fascinada observava a cena sem saber o que fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As naves da escolta foram rapidamente dizimadas e o comboio de cargueiros repentinamente se viu indefeso diante da força brutal dos piratas. Era impossível evitar que toda a carga fosse tomada. Num gesto de desespero os comandantes ordenaram que todos os containers fossem destravados e soltos no espaço e se afastaram da carga, numa tentativa de pelo menos salvar as naves e as vidas dos tripulantes. De seu ponto de observação Mona respirou aliviada. Os piratas já tinham o que queriam e agora deixariam as naves partir.&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5234438638848447602" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKR2NXMkFHI/AAAAAAAAAEA/rh4eRw3XzsU/s320/Mona_SpaceExplosion.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Mas aqueles piratas não partiriam assim tão facilmente. Em um movimento coordenado os caças se alinharam e atiraram uma carga de mísseis contra o grupo de naves cargueiras. A explosão a cegou por um instante. Quando finalmente conseguiu olhar para o local da batalha todos haviam desaparecido. Apenas alguns destroços indicavam o que restou das naves de carga. Os piratas haviam recolhido os containers e executado o salto. Durante várias horas ela se quedou ali, parada, com medo de se afastar da segurança de seu esconderijo. Ainda não acreditava no que acabara de presenciar. Uma grande tristeza a invadiu. Pela primeira vez, desde que decidira aventurar-se nessa expedição, Mona ficou em dúvida se realmente fizera a coisa certa. Sozinha em sua nave, olhando o espaço vazio à sua frente cogitou, pela primeira vez desde a chegada do fóssil, que talvez o diretor e Malman pudessem estar certos e que ali não era um lugar seguro para ela estar. Respirou profundamente e acionou os jatos de sua nave. Dentro de dois dias ela sairia da região conhecida como a Fronteira. Entraria então no território sem lei. Dali até Fidis seriam apenas mais duas semanas de viagem. Com certeza nada de mal aconteceria. Por dentro Mona já não tinha tanta confiança, mas não podia, nem queria, voltar atrás. Continuaria em frente e tudo daria certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois dias depois Mona deu o salto de Altair 2 para Vega e, nesse instante, se deu conta de que a partir de agora ela só podia contar com a sorte. Seriam pouco mais de dez dias de apreensão até a chegada a Fidis. Seguindo o procedimento padrão ela ligou todos os alarmes da nave, preparou as armas e ativou os escudos com a máxima força possível, se preparando para o pior. Olhou para o relógio da cabine. Sete horas da manhã pelo horário padrão. Pediu para o computador calcular as horas em Fidis, lá eram duas horas da madrugada Malman com certeza deveria estar dormindo. Iniciou o procedimento de salto e começou a sua jornada rumo ao inferno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As horas passavam vagarosamente, Mona se recusava a sair da cabine de comando, com medo que algum ataque acontecesse enquanto ela dormia. Desde o ataque aos cargueiros, Mona não vira qualquer outra nave. A solidão do espaço lhe dava nos nervos. O nervosismo começava a tomar conta de sua mente. Tentou cantarolar uma antiga canção, mas estava muito nervosa para conseguir passar da primeira estrofe. Olhou novamente o relógio, onze horas da manhã. Céus passaram apenas quatro horas desde o salto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dez horas depois Mona ainda estava na cabine de comando. Não dormia há mais de trinta horas. O seu corpo começava a fraquejar. Por enquanto nada ainda havia acontecido, mas ainda faltavam muitos dias de viagem. Tentou se comunicar com Malman várias vezes mas não conseguiu resposta. Isso a assustava mais que a tensão da viagem em si. Se algo acontecesse não teria como mandar um pedido de socorro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de quase quarenta horas consecutivas na cabine de comando, dormitando rapidamente na sua cadeira, Mona sentia todo o seu corpo doer. A comunicação ainda estava suspensa. O sono se apoderava de sua mente. O toque do alarme fez seu corpo se retesar. O visor mostrava uma formação de naves de ataque a poucos quilômetros de distancia. Fossem quem fossem o ideal era evitar o contato. Assumindo o controle manual Mona girou sua nave para a direita e acionou os propulsores aumentando a velocidade da nave quase até o ponto de limite. Precisava sair da área de alcance do radar inimigo antes que a notassem, se é que isso ainda não acontecera. O alarme tocou novamente. Pelos visores Mona viu três naves inimigas partirem em sua direção a uma velocidade espantosa. Sua velha nave nunca conseguiria se livrar daqueles perseguidores. Mona contava apenas com sua perícia como piloto, mas imaginava que aqueles que a perseguiam deveriam ser pilotos tão bons quanto ela. Girou sua nave e partiu em direção a um grande cinturão de asteróides à sua frente. Como numa brincadeira de gato e rato as três naves a seguiam por todos os lados. Mona começou a se desesperar com a perseguição. Nunca antes vivera uma situação como essa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentou enviar uma mensagem de socorro, mas os canais de comunicação estavam mudos. Um asteróide se aproximou rapidamente. Mona tentaria jogar pelo menos um dos inimigos contra ele. Acelerou mais, mas as naves inimigas também aceleraram. Acelerou mais um pouco. O asteróide se aproximou mais. De repente Mona entendeu o que eles estavam fazendo e se desesperou mais ainda. As naves inimigas fecharam mais próximo de Mona. Ela não teria como desviar do asteróide. Se não parasse se chocaria. Sem saber o que fazer Mona resolveu tentar uma manobra radical, girou a nave para baixo, acionou o lançador de minas e, num movimento desesperado reverteu bruscamente a direção. Sua visão ficou vermelha e por um décimo de segundos perdeu a noção de onde estava. Seus olhos registraram um brilho rápido de explosão. Um dos caças havia explodido em meio às suas minas. Sua visão entrou em foco novamente. Os dois piratas restantes atiravam contra sua nave. Um alarme começou a berrar dentro da cabine. Assustada e sem saber o que estava acontecendo Mona olhava para todo o painel, procurando o motivo do alarme. Que diabos era isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais asteróides passavam velozmente por ela. Se um deles a atingisse seria o final de sua viagem. Ligou o simulador de sons, para tentar perceber de onde vinham os tiros disparados pelos piratas, que ainda estavam na sua cola. Tuém, tuém, tuém, a droga do alarme não parava de berrar, deixando-a ainda mais nervosa, até que uma voz metálica e assustadoramente calma para uma situação como aquela disse pelo auto-falante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sistema Anti-míssil acionado automaticamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pooorra, então é isso? Porque diacho você não se acionou antes, droga. - Berrou mona para o painel de controle, registrando mentalmente que se saísse dessa situação iria processar os fabricantes do sistema de defesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazendo manobras bruscas para se esquivar dos tiros, dos mísseis e dos asteróides, Mona avançava velozmente para o centro do cinturão, sempre seguida de perto pelas naves dos piratas. O suor escorria pelas suas têmporas. Suas mãos molhadas escorregavam a todo instante no manche. Ela tinha a sensação de que correra uma milha em um minuto, tal o estado de cansaço físico em que ela se encontrava. Sentia a respiração acelerada e acima de tudo, um medo terrível. Mais medo do que jamais sentira em toda a sua vida. Asteróide à frente, manobra para a direita, reversão e manobra para cima, um tiro explodiu ao seu lado e ela manobrou para a direita de novo. Um outro asteróide veio em rota de colisão, de cima para baixo.&lt;br /&gt;No último instante ela girou a nave para a mesma direção do asteróide, passando a poucos centímetros de sua superfície. Um dos piratas não foi tão rápido e bateu no imenso bloco de granito, incendiando em uma grande explosão. Agora só faltava mais um.&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5234438876323170690" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKR2bL28yYI/AAAAAAAAAEI/4d0-1G2zuX0/s320/Mona_PirateExplosion.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Num movimento inesperado Mona reverteu a nave, acionou suas próprias armas e atacou. Não tentaria mais fugir. Ia lutar de igual para igual. Girou em direção ao pirata e acelerou sua nave até a velocidade limite. Quando estava quase no momento de colisão ela disparou uma carga mista de foguetes, tiros plasmódicos e minas de arrasto. No instante seguinte girou a nave e saiu da rota de colisão. O monitor traseiro lhe mostrava uma bola de fogo e gás se expandindo no lugar onde antes estivera a nave inimiga. Por incrível que pareça ela vencera sua primeira batalha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo localizador viu que estava a pouco mais de um dia de Fidis. Colocou a nave na rota correta e disparou rumo ao final de sua viagem.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1553956385968446220-2449258014960268648?l=mlsevero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mlsevero.blogspot.com/feeds/2449258014960268648/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1553956385968446220&amp;postID=2449258014960268648' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1553956385968446220/posts/default/2449258014960268648'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1553956385968446220/posts/default/2449258014960268648'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mlsevero.blogspot.com/2008/08/mona-captulo-1-pt-2.html' title='Mona - Capítulo 1 - pt 2'/><author><name>Marcio Severo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11239858084654660451</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKT4bldFdCI/AAAAAAAAAE0/DLnUj70qwxs/S220/lobosolitarioavat.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKRvHTVARhI/AAAAAAAAADw/kjXPXExFRRk/s72-c/Mona_MY_LAB.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1553956385968446220.post-6874422187832136860</id><published>2008-08-14T10:25:00.000-07:00</published><updated>2008-08-16T21:24:15.807-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mona'/><title type='text'>Mona - Capítulo 2 - pt 1</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;FIDIS&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKSZLxNLFjI/AAAAAAAAAEo/9yu4L25crKY/s1600-h/Mona_Quarto.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5234477094377559602" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 203px" height="211" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKSZLxNLFjI/AAAAAAAAAEo/9yu4L25crKY/s320/Mona_Quarto.jpg" width="300" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Um ruído contínuo a fez recobrar a consciência. Não se lembrava do que havia acontecido no final da viagem. Ainda de olhos fechados tentou captar um pouco do ambiente onde se encontrava. Estava deitada em uma grande cama, coberta com um grosso cobertor de lã. Havia sido despida e estava com algum tipo de camisola, sem nada por baixo. Ao longe era possível divisar o som de passos e de vozes mas por mais que tentasse, não conseguia compreender o que era dito. Uma coisa ela tinha certeza, não estava mais em sua nave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cautelosamente abriu os olhos e esquadrinhou o local. O quarto era grande e impecavelmente limpo. Encostada em uma das paredes havia uma velha cômoda, em cima da qual estava sua roupa de viagem, a capa e, viu horrorizada, sua roupa de baixo. Tudo aparentemente limpo e cuidadosamente dobrado. Ao lado da cômoda havia uma velha cadeira plástica, embaixo da qual estavam suas botas. Procurou pelas armas que passara a portar desde o início da viagem, mas não as viu em nenhum lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na parede oposta uma grande janela ladeada por grossas cortinas, lhe permitia enxergar um céu límpido e sem nuvens. Por alguns instantes estranhou sua cor levemente esverdeada, mas ela sabia que isso era algo normal em planetas com pouco tempo de terra-formação. Fidis não terminara o processo e ainda possuía grandes áreas inóspitas e pouco hospitaleiras. Apenas a região central, onde ficava a capital do planeta, que tinha o seu nome, era totalmente compatível comas necessidades humanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após alguns instantes ela tentou levantar-se, mas uma forte tontura a jogou de volta à cama. Sentiu dores por todo o corpo. Aparentemente não estava ferida, mas tinha a sensação de que havia caído do alto de um prédio. Com medo do que poderia encontrar foi aos poucos apalpando seus membros e passando as mãos pelo corpo, procurando ferimentos. Respirou aliviada ao perceber que estava inteira. No entanto, apesar do alívio, continuava intrigada com sua situação atual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrava-se de ter solicitado autorização para entrada no espaço aéreo de Fidis e de ter iniciado o procedimento de descida, mas a partir daí não se lembrava de nada mais. Nem de ter aterrissado a sua nave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O som de passos chamou sua atenção. A porta foi silenciosamente aberta e por ela entrou um homem alto, magro e ligeiramente calvo. Ao vê-la acordada deu um sorriso e falou com voz grave e ligeiramente rouca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah minha querida, finalmente acordou. Como está se sentindo?&lt;br /&gt;- Quem é você? Onde estou?&lt;br /&gt;- Calma, por favor. Fique calma, você não deve ficar excitada. Meu nome é dr. Serian Rudh, sou o médico da base aérea de Fidis, onde você pousou. Ou pelo menos tentou pousar.&lt;br /&gt;- O que aconteceu? Não me lembro de nada.&lt;br /&gt;- Aparentemente você desmaiou pouco antes da aterrissagem. O sistema automático de segurança finalizou o procedimento de aterrissagem, mas você deve saber como esses sistemas são, sua nave sofreu algumas avarias, mas nada de muito sério. No choque com o solo você foi arremessada por cima do painel de controle e atingiu os painéis de visualização externa. Você não estava usando o sistema amarração. Você tem três costelas quebradas, um pulmão perfurado, algumas luxações pelo corpo e um grande hematoma no ombro esquerdo mas, no geral, acho que ficará bem.&lt;br /&gt;- Há quantos dias estou aqui?&lt;br /&gt;- Três dias completos. Já estávamos preocupados.&lt;br /&gt;- O senhor não me disse onde estou, disse?&lt;br /&gt;- Essa é a residência do senhor Malman Vrier. Ele disse que era um amigo seu, e estava à sua espera na base.&lt;br /&gt;- Malman? Onde ele está? Tentei falar com ele várias vezes, mas nunca conseguia contato.&lt;br /&gt;- O senhor Malman está na sala, aguardando você acordar. Ele tem estado aqui todo o tempo. Por algum motivo que me escapa, ele parece achar que tem alguma culpa pelo seu acidente.&lt;br /&gt;- Ai, pobre Malman.&lt;br /&gt;- Bom, deixe-me examiná-la e depois volte a deitar. Você deverá ficar de repouso por no mínimo vinte dias.&lt;br /&gt;- Vinte dias? O senhor deve estar brincando. Não viajei mais de seis meses para ficar deitada numa cama por vinte dias.&lt;br /&gt;- Bom, senhorita, não há nada que você possa fazer com relação a isso. Não te darei alta antes desse prazo e sem minha autorização você não poderá passar da porta dessa casa, portanto acalme-se e descanse. Vou lhe dar um remédio para dormir e você deverá descansar mais um pouco.&lt;br /&gt;- Doutor, o senhor sabe por que eu desmaiei?&lt;br /&gt;- Exaustão. Você estava no limite de suas forças quando chegou aqui. Pelas marcas em sua nave acreditamos que você tenha passado por alguns maus momentos ao longo da viagem e que você estava em um estado grande de estresse. Seja como for, agora está tudo bem, você está em segurança. Por favor, tente dormir.&lt;br /&gt;- Obrigado, doutor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dias seguintes passaram lentamente. Todas as manhãs o velho Malman vinha para vê-la e passar algumas horas ao seu lado. Apesar da idade avançada ele ainda mantinha a postura ereta de ex-oficial da corporação e uma posição de destaque na sociedade de Fidis, onde atuava como o principal elo entre os mineradores do planeta e os comerciantes da confederação, o que, pensava Mona, lhe seria muito útil quando finalmente pudesse sair da cama e começar a sua aventura. Os dois aproveitaram o repouso forçado de Mona para discutir a expedição às antigas ruínas onde o fóssil foi encontrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Malman confirmou as suspeitas de que o alienígena provavelmente era dotado de uma inteligência superior. Objetos, construções e inscrições foram vistos no local. Nada se sabia sobre essas criaturas, apenas que não existiam mais, há pelo menos dois mil anos. Seguindo as instruções de Mona, Malman organizou a expedição, contratou pessoal de apoio, comprou os suprimentos necessários e obteve junto ao governo de Fidis a autorização necessária para a exploração do local. De onde estava Mona se comunicou com a Universidade de Luyten e conseguiu, finalmente, apoio para sua pesquisa. Afinal já que ela se encontrava mesmo por lá não custava à universidade dar-lhe uma ajuda. Os créditos necessários para financiar sua expedição foram depositados em sua conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente os malditos vinte dias chegaram ao fim. Mona saiu pela primeira vez para o exterior da casa e deparou-se com uma versão maior da sua aldeia de Nhagha. A cidade era um amontoado de pequenas construções esparsas, mal cuidadas e sujas. Um vento quente varria o lugar, trazendo um cheiro azedo de suor e de carne podre, que a fizeram torcer o nariz e desejar estar de volta a Luyten. Alguns soldados faziam exercícios com armas mais ao longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uns poucos homens, vestidos com uma espécie de manto de tecido cru e amarrado na cintura por uma corda, estavam recostados indolentemente junto à entrada de um prédio de aspecto especialmente decrépito. O brilho verde do céu deixava a todos com uma aparência doentia, como se todos na cidade estivessem com dor de barriga. Esse pensamento ridículo a fez sorrir e lhe deu coragem para enfrentar o mundo exterior. Saiu caminhando pela rua, seguindo a direção que Malman lhe indicara. Os homens a seguiam com o olhar, como animais famintos que quisessem devorá-la viva. Foi quando percebeu o que estava lhe incomodando desde que pusera os pés na rua. Não havia mulheres, ou crianças, à vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Discretamente ela verificou o estado das armas, que lhe haviam sido devolvidas e que agora pendiam molemente em seu cinto. Saber que estavam ali a fez sentir-se mais confiante e segura. Tentou ignorar os olhares e seguiu rumo ao armazém central, onde encontraria os homens que haviam sido contratados para escoltá-la até as ruínas. Uma vez lá, eles deveriam protegê-la e depois trazê-la de volta para Fidis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao chegar no armazém foi recebida por um rapaz que depois de confirmar sua identidade a acompanhou até os fundos do galpão, onde alguns homens a esperavam. Era uma das mais estranhas coleções de homens que ela jamais vira em toda sua vida. Por um instante pensou em desistir de tudo, voltar para a casa de Malman e dormir para esquecer a coisa toda. A muito custo conseguiu se controlar e seguir em frente. Sabia que esses homens tinham sido escolhidos pessoalmente por Malman e que deveriam ser os melhores. Chegou mais próximo e os examinou um a um.&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5234476653751590722" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKSYyHvwX0I/AAAAAAAAAEg/0Fzbr1hdcEo/s320/marek_hlavaty_concept_ship.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Carlo Herrera era o primeiro. Muito alto, forte como um touro. Sua pele negra reluzia sob a luz branca dos refletores do armazém. Cada um dos músculos de seus braços estavam delineados sob a camisa fina que ele usava. Uma grossa cicatriz em forma de cruz cobria seu antebraço esquerdo. Seus olhos eram negros como sua pele e não apresentavam qualquer emoção. Um sorriso desdenhoso lhe entreabria os lábios grossos. Por um momento a jovem sentiu medo, mas em seguida o homem falou, e sua voz era tranqüila, forte e melodiosa. Não havia maldade nela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Carlo Herrera se apresentando senhora. Serei o líder da nossa equipe e o responsável pela sua segurança. Espero que entenda que durante o período em que estará sob meus cuidados terá que obedecer às minhas ordens e fazer exatamente o que eu mandar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sob a pena?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sob a pena de ser abandonada à própria sorte, onde estiver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uhmm, e que garantias você me dá de que não me fará algum mal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Essa garantia eu é quem dou– disse Malman, que vinha chegando. – Estes são meus melhores homens e tenho plena confiança em cada um deles. Carlo é um dos melhores soldados de Fidis. Já trabalha comigo há vários anos. Você pode confiar plenamente nele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Malman, que bom vê-lo. Bom, se você diz isso. – e voltando-se para Carlo, que a observava, disse. – Tudo bem. Acatarei às suas ordens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ótimo. Os outros são; O velho de barbicha e olhos puxados é o Tin Huan Yo. É navegador, artilheiro e mortal numa luta sem armas. O garoto é o Canjica. Nunca soube o nome dele, mas você pode chamar ele assim mesmo. Ele é piloto. Sabe como comandar uma nave e será capaz de guiar o veículo que vamos usar para ir até as ruínas. Não atira muito bem, &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKek8zrjkvI/AAAAAAAAAFM/bYnD2M_ZBiw/s1600-h/The_Magician_by_oddpixels.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5235334456413491954" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKek8zrjkvI/AAAAAAAAAFM/bYnD2M_ZBiw/s200/The_Magician_by_oddpixels.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;portanto não fique perto dele em uma luta. Você pode tomar um tiro amigo. O magrelo chama-se Ali Hamah Syd, mas você pode chamar ele de Margarida. Tome cuidado com ele, porque provavelmente ele tentará te mostrar o show de transformista que fazia em Ruh. Por favor, não aceite. Ninguém mais agüenta ver o Margarida vestido de flor e cantando. Se você aceitar o show eu serei obrigado a cancelar a viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porra Carlo, você sabe que meu show já fez muito sucesso em Andrômeda. – reclamou Margarida com voz fina e afeminada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Andrômeda só tem viado. Tinha mesmo que fazer sucesso por lá. – respondeu Carlo sem se abalar. E voltando-se para Mona continuou – Apesar desse pequeno problema o Margarida é um dos nossos melhores soldados. Ele estará encarregado pela sua segurança pessoal. Nunca se afaste demais sem a presença dele, entendeu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentando conter o riso Mona disse – Tudo bem, entendi.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKek9LyHNFI/AAAAAAAAAFU/77na-_u9KX0/s1600-h/Mona_Jeremias.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5235334462883443794" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKek9LyHNFI/AAAAAAAAAFU/77na-_u9KX0/s200/Mona_Jeremias.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;- E por último o branquelo ali é o Jeremias. Ele é especialista em arrombar qualquer tipo de porta ou fechadura e também é nosso armeiro. Ele pode explodir qualquer coisa que você quiser. Só tem um problema. Ele tem sérias tendências incendiárias. Se o vir mexendo com alguma coisa que possa explodir não pense duas vezes, corra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tudo bem, pode deixar – respondeu. - Quando vamos partir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora...&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;---------------------------- * ----------------------------&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O agora de Carlo demorou cerca de quatro horas para acontecer. Foi necessário enviar um grupo até o espaço-porto para trazer os objetos de Mona que ainda estavam na sua nave. Canjica supervisionou a armazenagem dos suprimentos e dos materiais no porão do veículo que usariam. Carlo e Jeremias se encarregaram dos armamentos e munições. Pareceu a Mona que eles esperavam uma verdadeira batalha campal, tamanha a quantidade de munições que foram compradas. Tin Huan se trancou em uma das cabines e ficou traçando as melhores rotas para chegarem às ruínas, traçando planos de chegada e fuga, e coisas do gênero. Pareceu a Mona que eles iam fazer uma expedição militar, e não apenas uma pesquisa científica. Todos esses preparativo lhe pareceram extremamente exagerados mas Malman lhe pediu para que não interferisse. Essa era a forma que eles sabiam trabalhar e era melhor pecar pelo excesso que pela falta. Enquanto os demais preparavam a viagem Margarida se encarregou de localizar Mona dentro do grupo.&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5234476647491513122" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKSYxwbPKyI/AAAAAAAAAEQ/w1zIcjza7yY/s320/Join_me_on_the_Other_Side_by_chaos_agent.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;- Margarida, você poderia me dar um pouco mais de informações sobre os rapazes? Pra eu não falar nada de errado perto deles. Você entende, Né?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Ai meu amor, e como entendo, sabe. Eu mesmo vivo cometendo essas gafes horríveis com meus meninos. Mas eles sempre me perdoam. Você como é novata e ainda não é tão amada por eles como eu, faz muito bem em perguntar, sabe? Olha eles são bons rapazes, alguns são meio esquisitos mas são todos muito bons. Bom, deixa eu ver, por quem você quer que eu comece?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Bom, acho que é melhor pelo Carlo, não é?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKeltaM6XkI/AAAAAAAAAFs/GSUp3v1EfBE/s1600-h/Mona_Carlo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5235335291387665986" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKeltaM6XkI/AAAAAAAAAFs/GSUp3v1EfBE/s200/Mona_Carlo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;- Ahhh, o deus de ébano. Desgraçado, não quer nada comigo sabe? Eu bem que tento, mas ele não me dá a menor bola. O Carlo foi oficial da corporação por muitos anos. É um soldado como poucos, mas parece que ele era meio esquentado quando jovem e ele matou um soldado numa briga, coisa de garotos metidos a machos, sabe? Esse negócio de ficar se provocando em bar, e mexer com a mulher do outro, como se mulher valesse a pena, não estou falando de você é claro, mas. Onde eu estava mesmo? Ah, lembrei. Aí ele foi preso e depois de uns tempos ele foi expulso da corporação. Ele ficou revoltado e se aliou aos piratas. Aquela cicatriz super sexy que ele tem no braço é dessa época. Só que ele não gostou do jeito que eles faziam as coisas e saiu. Ele até hoje tem a cabeça a prêmio entre os piratas. Depois disso ele veio para Fidis e passou a trabalhar para o Sr. Malman.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Uau, e ele é bom?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- O Carlo? Ele é o melhor. Só isso.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- E o Tin Huan?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKeltakpt2I/AAAAAAAAAFk/yAxC0qv7KMg/s1600-h/Mona_Tin.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5235335291487237986" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKeltakpt2I/AAAAAAAAAFk/yAxC0qv7KMg/s200/Mona_Tin.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ahh esse é outro que foi destruído por uma mulher. Ele é Arturiano, sabe? Bom, dá para ver na cara dele. Lá em Arturia é todo mundo parecido com ele, de olho puxado, cara amassada e cabelo preto, uma coisa das mais sem graça que já vi, se quer saber. Bom, pelo que eu sei ele amou muito uma mulher lá do planeta dele e ela o desprezou. Ele pediu ela em casamento e ela riu na cara dele, porque achava que ele era fraco. Para provar a ela que era forte ele desafiou o irmão dela e o matou na frente da moça. O pai dela, que era grandão lá em Arturia, mandou chicotear ele até a morte, mas ele se recusou a morrer. Ele apanhou tanto que ficou sem pele nas costas, mas ele não se dobrou. No final o próprio executor ficou impressionado e parou de bater. Daí, ele falou para o pai que o Tin estava morto, tirou ele da casa do figurão e o levou para a própria casa. Depois que o Tin Huan estava melhor o cara mandou ele fugir do planeta e assim o Tin Huan veio parar em Fidis. Posso te dar uma dica sobre ele?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Claro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- O Tin Huan é um bom homem, mas ele tem muita raiva das mulheres por causa de tudo o que ele passou. Não tente se aproximar demais dele.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Uhmm, tudo bem. Vou me lembrar disso.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKeltF-eunI/AAAAAAAAAFc/6WqzsxGNDSY/s1600-h/Mona_Canjica.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5235335285958425202" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKeltF-eunI/AAAAAAAAAFc/6WqzsxGNDSY/s200/Mona_Canjica.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;- Bom, o próximo é o Canjica. Ahh, um doce de menino. Tímido como poucos mas um excelente piloto. Já salvou a vida de todos nós pelo menos uma dúzia de vezes. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- E porque ele veio parar em Fidis?&lt;br /&gt;- Bom, ele não passou para a escola de pilotos da corporação. Ele é dois centímetros mais baixo que o mínimo exigido, uma tolice. Só que ele queria ser piloto a qualquer custo e para provar que ele era bom adivinha o que o garoto fez?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nem quero imaginar – respondeu Mona rindo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ahh minha querida você não conseguiria imaginar mesmo, hahaha&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ele roubou uma nave da confederação e começou a provocar todos os policiais do setor que ele estava. Só sei que lá pelas tantas tinha mais de dez naves correndo atrás dele, hahahahaha.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Segundo dizem parecia brincadeira de seguir o líder. Para onde ele ia iam as naves todas atrás. Só que teve uma hora em que ele se distraiu e quando viu estava em cima de uma estação. Ele ejetou, mas a nave se espatifou em cima da estação. Fez um estrago danado. Os caras, que já estavam fulos com ele por fazer todo mundo de palhaço, o prenderam e surraram tanto que ele ficou meio pancada das idéias. Depois ele ficou uns seis meses preso e quando saiu ele não sabia muito bem o que fazer. Alguém falou para ele que precisavam de pilotos em Fidis e ele veio bater aqui um dia. O Sr. Malman empregou ele.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Nossa. Bom, pelo menos esse não tem nada contra as mulheres. – comentou Mona.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Hahaha, eu acho que ele nem sabe o que fazer com uma mulher. O coitado é tão tímido que se você tentar conversar com ele é capaz de ele se esconder embaixo da mesa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Puxa, estou mal parada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Que nada meu amor. Pode crer que não tem grupo melhor para te proteger.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- E o Jeremias?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Esse eu acho que você pode imaginar o que fez, Né?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ele explodiu alguma coisa?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Bingo!!! O Jeremias simplesmente tacou fogo na sede do parlamento de Altair. E com todos os deputados dentro, hahahaha&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Até hoje ele é procurado como inimigo público numero um do planeta. Mas é um bom rapaz.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- E você?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ah, sobre mim você não vai ficar sabendo nada. Que está pensando, que eu saio abrindo minha vida assim para qualquer sirigaita que aparece? Não meu amor, euzinho não. – Disse margarida com uma piscadela.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E assim Mona ficou sabendo um pouco mais sobre a estranha equipe que ia levá-la até as ruínas.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1553956385968446220-6874422187832136860?l=mlsevero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mlsevero.blogspot.com/feeds/6874422187832136860/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1553956385968446220&amp;postID=6874422187832136860' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1553956385968446220/posts/default/6874422187832136860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1553956385968446220/posts/default/6874422187832136860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mlsevero.blogspot.com/2008/08/mona-captulo-2-pt-1.html' title='Mona - Capítulo 2 - pt 1'/><author><name>Marcio Severo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11239858084654660451</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKT4bldFdCI/AAAAAAAAAE0/DLnUj70qwxs/S220/lobosolitarioavat.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKSZLxNLFjI/AAAAAAAAAEo/9yu4L25crKY/s72-c/Mona_Quarto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1553956385968446220.post-1158852235593345724</id><published>2008-08-14T10:20:00.000-07:00</published><updated>2008-08-18T09:24:40.822-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mona'/><title type='text'>Mona - Capítulo 2 - pt 2</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKmd8YzcvwI/AAAAAAAAAF0/tN4GdQzLFzY/s1600-h/Mona_Canion.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5235889702570868482" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKmd8YzcvwI/AAAAAAAAAF0/tN4GdQzLFzY/s400/Mona_Canion.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Saíram de Fidis no final da tarde, com a esperança de conseguir avançar pelo menos uma centena de quilômetros nesse final de tarde. O transporte era nada menos que uma antiga nave de batalha que havia sido adaptada para circular a rés do solo. Era grande o Bastante para possuir cabines individuais para os membros da equipe e uma grande sala de reunião próxima à cabine de comando. A nave se movia sobre um conjunto de jatos em sua barriga, que a mantinham sempre a cerca de um metro do solo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela escotilha de sua cabine Simone observava a paisagem inóspita do planeta Fidis. Ela se perguntava como seria esse povo alienígena que viveu nesse planeta, sob condições tão difíceis. O cenário era um tanto apocalíptico, seco e estéril. Poucas arvores esparsas eram vistas à distancia, sempre com uma aparência ressecada e envelhecida. Depois de algumas horas de viagem chegaram a um imenso platô, cortado por grandes cânions calcários, de uma beleza surpreendente, avermelhada. A jovem abriu a janela e deixou o ar quente do final de tarde soprar seus cabelos e aquecer seu rosto. Sentiu-se pequena e insignificante diante daquela vastidão. Nem no espaço havia se sentido tão minúscula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O veículo parou. Ao longe ouviu Carlo ordenar que armassem acampamento. Iriam passar a noite ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mona desceu do veículo, ajudou Jeremias a preparar o jantar e depois de comer algo se afastou sozinha até a beirada de um precipício, onde ficou olhando o horizonte, perdida em seus pensamentos. O vento agora mais fresco da noite. O céu havia se tingido de lilás antes de escurecer totalmente. Muitas estrelas brilhavam no céu e as três pequenas luas de Fidis, Gorgéa a branca, Marcear a Vermelha e Furio a negra, estavam visíveis e brilhavam logo acima de sua cabeça. A voz forte e melodiosa de Carlo soou ao seu lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sempre que olho para esses cânions me sinto como se eu não fosse mais que um pequeno grão de areia.&lt;br /&gt;- É como eu estou me sentindo agora. É tão vasto. E tão belo. – respondeu com voz embargada.&lt;br /&gt;- Sim. Mas não se deixe enganar pela sua beleza. Esses cânions são cruéis e sanguinários. Muitos homens morreram em sua travessia. Dentro deles a morte é o seu maior parceiro. Lembre-se de que a beleza pode ser mortal, porque diante dela nós nos desarmamos e nunca acreditamos que algo tão belo e tão puro possa trazer dentro de si uma armadilha. Esses cânions são assim. Se você os penetrar com o espírito desarmado eles vão te engolir.&lt;br /&gt;Carlo então olhou para o céu e disse, sem se voltar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5235889944717784226" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKmeKe3xdKI/AAAAAAAAAF8/Q3QlCWF0EeM/s320/Mona_Moons.jpg" border="0" /&gt;- Você sabe por que as luas de Fidis têm esses nomes?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Essa história é muito antiga, da época em que se começou a terraformação do planeta. Conta-se que um cientista se mudou para Fidis e trouxe consigo suas duas filhas Gorgéa e Marcear. Ambas eram belíssimas. Gorgéa, a branca, tinha a pele da cor da porcelana. Seus cabelos eram negros, os seus lábios eram pequenos e delicados, seu rosto lembrava o de um anjo. Era meiga, doce e sensível. E amava a irmã mais do que tudo na vida. Marcear tinha uma beleza diferente. Ela era muito alta, seus olhos eram muito azuis e seus cabelos eram vermelhos e revoltosos. Sua beleza perdeu muitos homens que a amavam e por ela eram desprezados. Mas apesar de toda a força que havia dentro dela, havia uma coisa que a derrubava. O amor incondicional que ela tinha pela irmã mais nova.&lt;br /&gt;- Furio era um oficial da corporação que se encantou com a beleza forte de Marcear. Ele não era um homem propriamente bonito, mas era destemido e determinado. Ele passou mais de um ano a cortejando, tentando provar a ela até onde ia a força de seu amor. Finalmente a moça lhe deu uma chance, e ele a agarrou como um faminto em frente a um prato de comida. Ele se declarou em uma tarde clara e sem nuvens. Ela ficou tão embevecida com a força daquele amor que de repente percebeu o quanto gostava dele e que queria ficar com Furio.&lt;br /&gt;- A doce Gorgéa ficou feliz por ver a felicidade da irmã e fez de tudo para ajudá-los. Furio, no entanto, não estava à altura daquela mulher. Ele era tolo, arrogante e fútil. Depois de conquistá-la ele perdeu o interesse por Marcear e passou a cortejar Gorgéa que se sentiu repugnada e revoltada com a traição à sua irmã. Uma tarde, após mais uma tentativa de Furio de conquistá-la, ela o confrontou perante a irmã. O rapaz então, para impedir que ela continuasse, a agrediu com um empurrão que a jogou longe. Marcear, tomada de ódio por ele haver machucado sua irmã pegou um arma e o matou.&lt;br /&gt;- E o que aconteceu depois?&lt;br /&gt;- Naquela época o assassinato era punido com a morte. Ainda mais o assassinato de um oficial da corporação. As duas irmãs se abraçaram e choraram pois sabiam que Marcear estava condenada. Elas então saíram de casa e fugiram para esse cânion. Aqui, no alto do penhasco das irmãs da lua, o mais alto de todos, elas se abraçaram e de mãos dadas saltaram para a morte. A lenda diz que elas nunca chegaram a tocar o solo. Que no momento em que elas saltaram a lua de Fidis explodiu em três e que as irmãs foram levadas para habitá-las. Repare que Gorgéa e Marcear estão sempre juntas. Por qualquer ângulo que você olhe para o céu elas estão unidas e que Furio nunca consegue se aproximar delas.&lt;br /&gt;- Sim, é verdade.&lt;br /&gt;- Furio está condenado a sempre buscá-las e nunca alcançá-las. – O amor é um sentimento muito forte. Pode-se matar ou morrer por amor. Não se deve brincar com ele. Ele sabe como revidar. – finalizou Carlo mais para si mesmo que pra mona. Depois olhou para a moça e disse em voz calma.&lt;br /&gt;- Bom, acho melhor você entrar e ir dormir. Amanhã será um longo dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mona permaneceu na beira do precipício mais algum tempo, pensando na história das irmãs lua e em sua própria história. De repente se deu conta que na verdade nunca havia amado ninguém. E se sentiu ainda menor. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;---------------------------- * ---------------------------- &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;No dia seguinte, logo cedo, começaram a se preparar para descer para o fundo do cânion. Grandes mochilas fora preparadas, armas checadas e equipamentos medidos. Ao ver toda essa preparação Mona virou-se para Carlo e perguntou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos à pé?&lt;br /&gt;- Sim, o transporte não pode descer até o fundo do cânion, e mesmo que pudesse não há espaço para ele manobrar lá embaixo. É mais seguro que ele fique aqui.&lt;br /&gt;- E as ruínas ficam muito longe?&lt;br /&gt;- Elas ficam no fundo do cânion, a dois dias de caminhada. Numa das regiões mais perigosas de Fidis. Mas como você quer ir até lá, nós te acompanharemos.&lt;br /&gt;- Obrigada.&lt;br /&gt;- Não me agradeça. Estou sendo pago para isso. – respondeu Carlo com um sorriso antes de afastar-se e deixá-la só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai amor, não liga não. O Carlo é assim, meio secão, mas ele gosta de você, sabe? Não tanto quanto ele gosta de mim, mas um pouquinho ele gosta, hahaha – disse Margarida, que de repente havia surgido ao seu lado.&lt;br /&gt;- Vamos menina, mexa essa bundinha linda. Me ajuda aqui. Sabe, sua mochila é a menor de todas. Isso é discriminação.&lt;br /&gt;- Mas eu não pedi uma menor! - Disse Mona rapidamente.&lt;br /&gt;- Eu sei, mas os rapazes acharam melhor. Acho que eles querem te agradar.&lt;br /&gt;- Uhmmm&lt;br /&gt;- Margarida! Para de falar besteira e anda. Senhorita, vamos logo. – gritou Carlo da borda do precipício.&lt;br /&gt;- Aiii Carlo, precisa ser tão grosso? Já vou, já vou.&lt;br /&gt;- Margarida, pega logo essa corda e desce. Que droga.&lt;br /&gt;- Ai, me pede assim de novo!&lt;br /&gt;- Anda. Porra!!!!&lt;br /&gt;- Ai, gamei...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKme9BUsRSI/AAAAAAAAAGE/oHY26HDoCGU/s1600-h/Mona_DescidaCanion.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5235890812959343906" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKme9BUsRSI/AAAAAAAAAGE/oHY26HDoCGU/s320/Mona_DescidaCanion.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;E passando as pernas pela borda da pedra, segurou a escada de corda e iniciou a descida do paredão de granito que era essa parte do cânion. Assim que sua cabeça desapareceu, precipício abaixo, Carlo virou-se para Mona e ordenou que ela o seguisse. Tremendo de medo Simone segurou a escada de corda e olhou para o fundo do cânion, a mais de quatrocentos metros abaixo. Carlo a olhou com ar interrogativo e, temendo parecer fraca, ela se lançou no ar, segura apenas por uma pequena corda, que para ela parecia muito fina para agüentar o peso de todos aqueles homens e seus materiais. A descida foi lenta e demorada. O vento sacudia seu corpo e a jogava contra o paredão de pedra. Seus cabelos chicoteavam seu rosto com força. Suas mãos ficaram suadas e dormentes. Por alguns instantes ela fixou o olhar no fundo do cânion e de repente viu tudo rodar. Do alto ouviu a voz de Carlo gritando. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Não olhe para baixo! Não olhe para baixo! Fixe o olhar na corda! Olhe para o nó!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela tentou olhar fixo para o nó da corda, que servia como degrau. Respirou fundo e tentou se acalmar. A tontura passou e foi possível continuar a descer. Degrau a degrau. Nó a nó. Horas se passaram até que o fundo ficasse visível e próximo. Agora já não era mais apenas as mãos que estavam dormentes, mas todos os seus membros. O peito arquejava e o ar parecia que queimava nos seus pulmões. Pensou que ainda não devia estar totalmente cicatrizado da perfuração. O que estava fazendo ali?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais abaixo Margarida cantava uma canção de cabaré, dando grandes agudos e fazendo o acompanhamento com a boca. A calma dele era desesperadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente chegaram ao fundo. Ao pisar no solo Mona desabou, sem conseguir firmar as pernas. Arrastou-se até uma pedra grande e sentou para descansar enquanto Margarida fazia o reconhecimento do terreno e reclamava da qualidade do laquê que não tinha segurado seus cabelos. Por um instante Mona teve vontade de gritar para ele que podiam ter morrido nessa descida, mas suas forças não lhe permitiam sequer articular uma palavra quiçá um grito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os outros acabaram de descer e se prepararam para continuar a caminhada, seguindo o curso do que um dia deve ter sido o leito de um grande rio. Canjica se aproximou e lhe ofereceu sem jeito uma pastilha de adrenóide, para ajudá-la a recuperar as forças. As dores de Mona passaram rapidamente e ela conseguiu se por de pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguiram pelo leito rochoso, caminhando tranquilamente mas, Mona reparou, todos os homens estavam com suas armas empunhadas e engatilhadas. Por via das dúvidas sacou também suas pistolas e as armou. Carlo lhe fez um aceno de aprovação. O fundo do cânion era pontilhado de pedras soltas e erodidas pelo vento constante, mesmo no fundo daquele imenso corredor. Pequenos seixos arredondados e lisos cobriam o chão. De vez em quando encontravam grandes blocos de pedra, sob os quais pequenos animais se entocavam e os espiavam passar em silencio profundo. Os imensos paredões de pedra reduziam a entrada da luz na maior parte do dia e logo estava escuro demais para prosseguirem. Acharam uma grande pedra sob a qual armaram suas barracas e fizeram uma pequena fogueira para se aquecer e proteger. Até ali haviam caminhado bem e sem quaisquer incidentes. Simone estava animada e confiante de que chegariam sem problemas ao sítio onde o fóssil foi achado no dia seguinte ou, no mais tardar, no próximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentados à volta da fogueira os seis expedicionários relaxaram e conversaram entre si. E essa falta de atenção lhes foi fatal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro a perceber que algo estranho estava acontecendo foi Tin Huan, que de um&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKmgNKFfmVI/AAAAAAAAAGM/jYTqlIPp43Y/s1600-h/Mona_monstro.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5235892189701052754" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKmgNKFfmVI/AAAAAAAAAGM/jYTqlIPp43Y/s320/Mona_monstro.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; salto levantou-se e fitou o olhar na escuridão à frente. Antes que pudesse dar o alarme o velho soldado foi atingido por garras, de um branco leitoso, que surgiram do meio da noite e o jogaram contra o chão, desnorteado e indefeso. O sangue logo cobriu seu peito, escorrendo dos profundos ferimentos. Antes que os demais tivessem se recobrado do susto o corpo alongado do animal entrou no perímetro do acampamento. Era grande o suficiente para arrastar um homem sem fazer esforço. Seus dois olhos sem pálpebras se fixaram em Carlo e, em seguida em Simone, como se ele estivesse escolhendo qual seria sua próxima vítima. Seus fortes membros traseiros se encolheram antes que, num salto, se lançasse sobre a jovem derrubando-a. Um cheiro adocicado invadiu suas narinas enquanto o animal se curvava sobre seu rosto, com as mandíbulas abertas e uma fileira de dentes brancos e afiados à mostra. Ela girou o corpo, tentando livrar-se daquele beijo fatal, mas o animal a mantinha bem presa ao chão. Num gesto de desespero puxou a arma e atirou. O tiro passou distante do animal, mas o som o assustou por tempo o suficiente para que Carlo jogasse seu próprio corpo contra o animal, deslocando-o e permitindo que Mona se libertasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Margarida e Jeremias descarregaram suas armas contra o animal, sem muito resultado além de enfurecer a fera. As grossas placas de sua carapaça defletiram as balas impedindo-as de atingir qualquer porção realmente vulnerável de seu corpo. Simone sacou suas próprias armas e mirou nos olhos do animal. Estava tão nervosa que mal conseguia mirar. Atirou no olho esquerdo, tentando ao menos feri-la um pouco. O tiro passou longe do olho, mas por um golpe de sorte acertou um ponto vulnerável logo abaixo do pescoço. O animal urrou de dor e raiva e voltou-se novamente contra Mona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Canjica saltou contra a carapaça, munido de um punhal e de mais coragem que jamais tivera em toda sua vida, e enfiou a lâmina em um ponto macio de carne, logo abaixo da cabeça. O animal rodopiou e tentou abocanhá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa hora Carlo e Jeremias, um de cada lado, miraram diretamente a cabeça draconiana do animal e dispararam sem piedade, crivando-o de projéteis. O estranho ser tentou avançar contra Carlo, mas já estava no final de suas forças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente seu corpo caiu inerte, banhado em um espesso e viscoso líquido esverdeado e mal cheiroso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A alguns metros de distancia estava o corpo, já sem vida de Tin Huan Yo. A expedição, que para Mona havia começado tão bem, agora se mostrava amarga e sem sentido. Olhando para o corpo envelhecido e sofrido daquele homem Simone começou a perceber o lado obscuro das aventuras. Nem tudo era divertido, glamoroso e emocionante. O que mais teria que aprender antes do fim de sua jornada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As lágrimas rolavam pelo seu rosto.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1553956385968446220-1158852235593345724?l=mlsevero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mlsevero.blogspot.com/feeds/1158852235593345724/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1553956385968446220&amp;postID=1158852235593345724' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1553956385968446220/posts/default/1158852235593345724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1553956385968446220/posts/default/1158852235593345724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mlsevero.blogspot.com/2008/08/mona-captulo-2-pt-2.html' title='Mona - Capítulo 2 - pt 2'/><author><name>Marcio Severo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11239858084654660451</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKT4bldFdCI/AAAAAAAAAE0/DLnUj70qwxs/S220/lobosolitarioavat.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKmd8YzcvwI/AAAAAAAAAF0/tN4GdQzLFzY/s72-c/Mona_Canion.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1553956385968446220.post-8792943664808838440</id><published>2008-08-14T10:15:00.000-07:00</published><updated>2008-08-29T14:54:02.368-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mona'/><title type='text'>Mona - Capítulo 3 - pt 1</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKnFCDO_5pI/AAAAAAAAAGc/Cw5-7B2_7bw/s1600-h/mona_pira.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5235932680813536914" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKnFCDO_5pI/AAAAAAAAAGc/Cw5-7B2_7bw/s320/mona_pira.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; A manhã nasceu fria e escura. No fundo dos cânions a luz chegava quase sem intensidade e não aquecia os ossos dos cinco exploradores. Carlo não permitiu que parassem para pensar no que aconteceu na noite anterior. Ajudou Jeremias a incinerar o corpo de Tin Huan, fez uma última homenagem ao amigo, desarmou o acampamento e fez com que partissem, em marcha acelerada, como se estivessem fugindo dos fantasmas de um passado muito recente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Iam em silêncio, cada qual mergulhado em seus pensamentos. Mesmo Margarida permanecia estranhamente quieto e cabisbaixo. Os quilômetros passavam por eles, despercebidos, e quando, ao final de um dia inteiro de marcha, pararam para montar acampamento, já estavam muito longe daquele local fatal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte o ritmo continuou o mesmo. Mona seguia em silêncio, imersa em seus próprios pensamentos. Não tivera tempo de se afeiçoar a Tin Huan, mas a própria história do guerreiro a tocava e, agora, ela se sentia culpada pela sua morte. Seu capricho de menina mimada a havia levado até ali, sem medir as conseqüências dos seus atos. Nesse momento ela pensava se aquele fóssil valia tudo aquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final do segundo dia eles se aproximaram de um vale profundo e largo. Lá eles armaram acampamento. No dia seguinte chegariam ao seu destino. Mona Sentou-se próximo a Canjica, para ajudá-lo a fazer o jantar, enquanto os outros reconheciam o terreno em volta do acampamento. O jovem parecia perdido em seus próprios pensamentos. Sem olhar diretamente para ela falou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O-o-o Tin me salvou a vida du-duas vezes.&lt;br /&gt;- Você gostava muito dele, né?&lt;br /&gt;- Go-gostava s-s-sim. E-ele não era de fa-falar muito, ma-mas era me-me-meu melhor a-a-amigo.&lt;br /&gt;- E-ele nun-nunca me sa-sacaneava qua-quan-quando eu n-n-não conseguia f-f-falar. E-ele gos-gostava de m-m-mim.&lt;br /&gt;- Mas todos gostam de você. Eu gosto de você.&lt;br /&gt;- V-v-você não en-en-entende. E-ele qua-quase mo-morreu pra me sal-sal-salvar.&lt;br /&gt;- Como foi?&lt;br /&gt;- Q-quando os pi-pi-pirat-tas pe-pe-garam a g-g-gente. E-e-eles co-co-co-co...&lt;br /&gt;- Colocaram?&lt;br /&gt;- Isso, o-obrigado. Colocaram f-fogo na na-nave, comigo d-d-dentro. O Tin ma-ma-matou dois pi-piratas e entrou na na-nave pra me ti-ti-tirar do meio do f-f-fogo. E-eu ia mo-mo-morrer quei-ma-ma-do.&lt;br /&gt;- Puxa, ele foi corajoso.&lt;br /&gt;- E-ele era meu a-a-amigo. Eu teria Fe-feito o mesmo por ele. – respondeu Canjica com convicção.&lt;br /&gt;- Imagino que sim. Vocês são tão amigos entre si. Eu nunca tive amigos. Pelo menos não como vocês são.&lt;br /&gt;- A-a gente já pa-passou muita co-coisa junto. Se eu n-não con-confiar neles, vou confiar em- em quem, né?&lt;br /&gt;- Vocês já perderam outros amigos antes.&lt;br /&gt;- Já s-s-sim. Mas não que-quero f-f-falar so-sobre isso não.&lt;br /&gt;- Tá bom, me desculpe.&lt;br /&gt;- S-sem problemas. Vo-você é legal. É uma de n-nós. Qualquer um de nós se-se arriscaria pra t-te ajudar.&lt;br /&gt;- Puxa, obrigada Canjica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que ele falou é verdade – disse Carlo do seu canto. – Os rapazes te consideram uma de nós. Espero que você compreenda e corresponda a isso quando chegar a hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mona abaixou a cabeça e respondeu devagar. Mais para si mesma que para Carlo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu espero poder corresponder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fique tranqüila. Você vai. – ela ouviu a voz rascante de Jeremias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nós aqui só temos uns aos outros. – Continuou Carlo. – Temos que confiar apoiar um ao outro. Por mais que a gente se estoure e brigue entre si, somos sempre um grupo. Entre nós o desejo de um não pode ser maior que a necessidade do grupo. Você tem demonstrado que é capaz de lutar conosco. Os rapazes te consideram uma igual e morrerão para salvá-la. Espero que você não os decepcione.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E você? Como você me considera?&lt;br /&gt;- Isso não importa. Mas eu também me arriscarei a morrer por sua causa. Lembre-se disso.&lt;br /&gt;- Eu me lembrarei.&lt;br /&gt;- Ótimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, logo após o raiar do dia, o pequeno grupo arrumou suas coisas, armou-se e seguiu rumo às ruínas da aldeia alienígena. Ao longe podiam divisar os restos de edifícios de pedra e barro, a maioria já bastante destruída pelo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;---------------------------- * ----------------------------&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois de algumas horas de caminhada em uma planície limpa e clara eles chegaram à beira do vale onde se encontrava seu destino. Nuvens baixas escureciam a manhã e em alguns pontos pareciam se juntar às copas das imensas árvores da floresta tropical que ficava entre eles e as ruínas. Eles deveriam atravessá-la para chegar até a cidade alienígena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKnEX8i-dLI/AAAAAAAAAGU/jxYPhrofVLY/s1600-h/MONA_cachoeira.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5235931957463774386" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKnEX8i-dLI/AAAAAAAAAGU/jxYPhrofVLY/s320/MONA_cachoeira.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Um cinturão de altas paredes rochosas o circundava o vale quase completamente. Uma grande cachoeira era visível à distância, desabando do alto do Cânion e alimentando o grande rio que cortava todo o vale, seguindo serpenteante, do norte para sudeste. Uma névoa branca pairava próximo ao pé da cachoeira, de onde subia um pequeno arco-íris. Dos troncos das árvores da velha floresta pendiam verdes trepadeiras e um cipoal amarronzado que chegava próximo ao solo e que poderia sustentar o peso de vários homens. Bandos de pássaros silvestres voavam por sobre as copas folhosas. O verde claro do céu de Fidis se misturava às folhagens, dando a tudo um ar meio fantasmagórico e emaciado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um estranho animal sobrevoou a floresta soltando trinados altos e agudos, angustiantes. Se parecia com uma ave de rapina comum, mas seu corpo era inteiramente coberto por uma grossa pele acinzentada. Seu bico recurvo parecia afiado e cruel. A sua presença fez as outras aves fugirem assustadas e ligeiras, mas com um mergulho veloz o animal se lançou sobre uma das aves e com um golpe certeiro a abateu. Carlo e Jeremias trocaram um olhar apreensivo mas nada comentaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do ponto onde se encontravam não era possível enxergar quaisquer trilhas que pudessem levá-los até a cidadela. Teriam que enfrentar o meio da floresta com seja lá quais perigos ela abrigasse. Carlo olhou novamente para a colorida figura de Margarida, que nessa manhã ostentava uma enorme pluma vermelha fixada no chapelão cor de rosa, de abas largas, que combinava com a capa e as botas cor de sangue e contrastando com uma bela camisa de seda branca e com um lenço também de seda no pescoço. O grande guerreiro balançou a cabeça em sinal de desespero e começou a descida até a beira da floresta. Nunca se acostumaria com os gostos de Margarida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguindo os passos de Carlo, Jeremias e Mona caminhavam em silêncio, observando a floresta em frente, buscando, em vão, um caminho para alcançar as ruínas. Jeremias carregava seu lança-chamas no ombro, duas pistolas nos coldres e uma grande mochila com explosivos e detonadores nas costas. Carlo também portava ostensivamente seu armamento. Atrás de Mona, Margarida caminhava alegremente, assobiando uma canção de cabaré e segurando um fuzil neurônico entre os braços. Apesar de sua aparente displicência, ele trazia sua arma pronta para uso e, reparou Mona, duas facas estavam cuidadosamente amarradas nos seus antebraços. A jovem não duvidaria se lhe dissessem que ele tinha alguns explosores nas botas ou outras armas escondidas. Fechando a fileira Canjica se mantinha em alerta todo o tempo. Seu explosor estava armado nas mãos e em suas costas ele carregava um fuzil neurônico.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKnFcr_yi9I/AAAAAAAAAGk/mMF1b9taI10/s1600-h/Mona_Floresta.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5235933138432199634" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKnFcr_yi9I/AAAAAAAAAGk/mMF1b9taI10/s320/Mona_Floresta.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Desceram a encosta cautelosamente, estudando a grande floresta. Ouvindo seus sons e reconhecendo suas cores. Uma brisa leve lhes trazia um odor pesado de turfa e madeira apodrecida que incomodava as suas narinas. O grito desesperado de algum animal sendo caçado. Um brilho prateado refulgiu sob a luz fraca do sol de Fidis. Embaixo das copas frondosas havia mais sobras que luz, apesar de estarem em pleno meio dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após um almoço rápido começaram a procurar uma trilha que os ajudasse a atravessar a densa mata que havia à sua frente. Finalmente acharam uma antiga trilha feita por animais, que seguia para dentro da floresta, provavelmente até a margem do rio. Combinaram que a seguiriam até alcançar a margem, então subiriam o rio até a cidadela dos alienígenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol frio de Fidis ia alto quando eles finalmente penetraram a floresta. Apenas uma luz difusa chegava ao solo, deixando o ambiente em torno com uma estranha aparência fantasmagórica e lúgubre. À sua volta sons abafados denunciavam que não estavam sozinhos. Que estranhos animais habitariam aquele lugar eles não poderiam saber. As lanternas acesas em força máxima iluminavam olhos brilhantes que os seguiam e espreitavam. Os cinco caminhavam lentamente, com as lanternas em uma das mãos e uma arma na outra, prontos para repelir qualquer ataque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em muitos trechos a trilha desaparecia totalmente, coberta de musgos e matos, e ele perdiam um grande tempo procurando-a novamente. Em muitos momentos foram obrigados a usar seus facões para abrir trechos de trilha já perdidos para a floresta. Em duas ocasiões grandes troncos de árvores caídas os fizeram sair da trilha e contornar pelo meio da floresta fechada. Galhos cheios de espinhos roçavam seus rostos e braços, arranhando a pele e em alguns momentos rasgando suas roupas. Em pouco tempo Margarida foi obrigado a guardar a sua grande capa vermelha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de algumas horas de uma difícil caminhada ouviram à sua direita o rouco soar do grande rio. Ouvir aquele som os animou e deu esperanças de que conseguiriam chegar, pelo menos, às suas margens antes do anoitecer. Apertaram o passo e com energia redobrada seguiram em frente mas por mais que caminhassem a margem do rio não chegava nunca. Quando a luz do sol se foi Carlo ordenou que parassem e montassem acampamento ali mesmo. Limparam uma pequena clareira, acenderam um fogo. Depois sentaram para comer alguma coisa e descansar depois de um longo dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite foi longa e angustiante. Ruídos de passos que se aproximavam e afastavam a todo instante denunciavam que eles não estavam sós. A luz da fogueira atraía insetos que se chocavam contra seus rostos e lhes mordiam a pele. Mais ou menos no meio da noite um animal, parecido com um pequeno lobo, se aproximou da tenda de Carlo, mas se afastou rapidamente quando o guerreiro de moveu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente o sol despontou e o grupo se pôs novamente em marcha. O som das águas tormentosas do rio se aproximava cada vez mais até se tornar um troar ensurdecedor. Deviam ter se desviado muito para o norte e estar agora mais próximos da grande cachoeira. A realidade surgiu para o grupo ao meio dia, quando saíram de trás de uma grande touceira e se viram frente a frente com o forte rio. As águas corriam velozes em meio a um leito de pedras e grandes formações calcárias. A espuma branca cobria parte dos rochedos pontiagudos. A margem oposta ficava a mais de duzentos metros de distância. Ali seria impossível fazer a travessia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidiram seguir o rio, em busca de um ponto onde ele fosse navegável. Canjica então montaria o pequeno bote e eles fariam a travessia calmamente. Foram necessários mais dois dias de caminhada até encontrarem um ponto onde as águas corriam calmas e tranqüilas, propícias à navegação. Armaram o bote, que nada mais era do que um molde de matéria plástica que era tornada sólida ao ser submetida a uma carga de partículas ionizadas e era impulsionado por um pequeno motor de subatômico. Uma vez montado o grupo se alojou no bote e rapidamente atravessou o grande rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Qual a distância até as ruínas? – perguntou Mona a Carlo, enquanto faziam a travessia.&lt;br /&gt;- Creio que mais dois dias de caminhada, se a mata aqui não for mais cerrada que a que atravessamos agora.&lt;br /&gt;- Você já foi lá alguma vez?&lt;br /&gt;- Não. Estudei o relatório dos pesquisadores.&lt;br /&gt;- Achou alguma coisa interessante no relatório?&lt;br /&gt;- Você não leu?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Agora entendo porque você quis vir até aqui.&lt;br /&gt;- Como assim?&lt;br /&gt;- Dos trinta e cinco pesquisadores que vieram explorar as ruínas apenas quatro voltaram. Dois deles em estado de completa demência. O relatório foi feito a partir de relatos dos outros dois sobreviventes. Mas está bastante incompleto e em alguns trechos completamente incoerente.&lt;br /&gt;- Diz o que aconteceu com eles?&lt;br /&gt;- Não. Eles não se lembram de quase nada. Falam um pouco das ruínas e depois de uma lua.&lt;br /&gt;- Como assim lua?&lt;br /&gt;- Também não entendi. Eles dizem que conversaram com uma lua.&lt;br /&gt;- Que estranho.&lt;br /&gt;- Você deveria ter lido o relatório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Instantes depois o bote encostou na margem direita do grande rio. Em poucos dias estariam face a face com as ruínas.&lt;br /&gt;--------------------------------*******----------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho melhor armarmos o acampamento aqui, por segurança. Margarida, você e Jeremias façam uma vistoria no terreno e armem as armadilhas e alarmes. Não quero ser pego de surpresa quando estiver dormindo. Canjica e senhorita Mona, por favor, limpem o terreno e levantem as tendas. Vou dar uma volta para ver se encontro alguma trilha.&lt;br /&gt;- Pode deixar, chefinho!&lt;br /&gt;- uhmm.&lt;br /&gt;- Tu-tudo b-b-bem senhor.&lt;br /&gt;- Ótimo. Vamos trabalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rapidamente o grupo se separou e cada um se incumbiu de realizar suas obrigações. Com uma arma em cada mão Carlo embrenhou-se na grande floresta em busca de uma trilha que os levasse até as ruínas alienígenas. Com a ajuda de um pequeno desintegrador portátil Mona e Canjica rapidamente limparam o terreno e depois acionaram os armadores, que levantaram as cinco tendas em poucos segundos. Prepararam o jantar e se puseram a esperar os outros. Cerca de uma hora depois Margarida e Jeremias já estavam de volta ao acampamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que você espera encontrar lá nas ruínas ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Evidências e fósseis sobre a antiga civilização que viveu aqui antes da nossa chegada. Essa é a primeira prova de uma civilização não humana da história. E aparentemente era dotados de inteligência e uma cultura avançada. Depois de quase três mil anos de procura, desde que os humanos saíram da Terra para explorar o espaço, esse é o primeiro registro de uma civilização alienígena. É muito importante para nós sabermos mais sobre eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por q-quê é t-tão im-importante a-assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Primeiro porque prova que não estamos sozinhos e essa sempre foi uma das perguntas que o ser humano sempre fez. Se estávamos sozinhos no universo. E também para nos ajudar a estarmos preparados para o caso de uma tentativa de contato. Se eles ainda existirem e tentarem nos contatar precisamos saber o máximo possível sobre eles. Sua cultura, sua linguagem, seu nível de avanço tecnológico. Se são hostis ou pacíficos, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E você espera descobrir tudo isso nas ruínas? Ah, benzinho, acho que você está querendo demais, não? São só ruínas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não Margarida, com as técnicas certas de pesquisa podemos extrair muito dessas ruínas. É claro que podemos não conseguir tanto quanto eu espero, mas de qualquer forma vamos conseguir muito mais que temos hoje. E isso é muito importante para a raça humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uhmm. Eu só preciso saber se os aliens pegam fogo e se eles explodem. O resto deixo pra vocês, cientistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Há, há, há. Pode deixar Jeremias, com certeza eles explodem, mas espero sinceramente que você não precise explodir nada por aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uhmmm&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cadê o Ca-carlo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É mesmo, ele já saiu há mais de três horas. Já está quase de noite e ele ainda não voltou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Carlo sabe o que faz. – Replicou Jeremias secamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá bom. Só fiquei preocupada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas horas seguintes os quatro aventureiros permaneceram no acampamento conversando e aguardando o retorno do seu líder. Mesmo com a chegada da noite o grande guerreiro não retornou. O grupo estava preocupado com sua sorte mas, num acordo não verbalizado, ninguém comentou nada. Apenas aguardaram o seu retorno. Horas e horas de angustiante espera se passaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite já ia alta quando Carlo saiu da mata. Vinha cambaleante, quase se arrastando pela areia. Estava muito ferido, com um grande corte na fronte, que sangrava fortemente, manchando o que restava do seu uniforme. Ele havia perdido as suas armas e todo o equipamento que tinha levado na exploração. Estava sem o capacete e os braços de sua armadura haviam sido arrancados deixando um rastro vermelho na camisa branca que ele usava por baixo. Sua mão esquerda estava esmagada e no lugar dos dedos haviam apenas tocos de ossos e restos de pele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os outros correram para ajudá-lo e com uma maca o levaram para sua tenda, onde foi gentilmente deitado numa cama de armar. Margarida lhe aplicou os primeiros socorros, mas muito pouco podia ser feito. Ao retirar o que restou da armadura até mesmo Jeremias se afastou horrorizado. O peito do soldado havia sido aberto e era possível ver o seu coração pulsando fracamente em meio à carne e aos ossos do seu tórax. Carlo balbuciava palavras desconexas e parecia estar sofrendo de fortes alucinações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao pousar os olhos sobre Mona o grande soldado se soergueu na cama e disse em tom de urgência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A lua ainda está viva. Fujam daqui. Vão embora, me deixem morrer e vão embora daqui. A lua está viva. Ela quer você. Ela sabe que você está vindo. Fuja. Vá embora. Não encontre a lua. Ela vai te matar como matou a mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que ele está dizendo? – perguntou Mona para Margarida, que estava de joelhos ao lado da cama, tentando estancar o sangue e fechar a ferida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sai daqui senhorita. Ele ficou agitado ao te ver. Não vou conseguir fechar a ferida com ele assim. – Gritou Margarida, o jeito afeminado esquecido num canto de sua personalidade, com uma urgência que fez Mona virar-se e correr para fora da tenda. O choro e o desespero se apoderaram dela e sem conseguir se conter Mona chorou copiosamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até ali Carlo havia sido a base de sua expedição. O cérebro por trás de cada passo. Ele sempre soube o que e como fazer para tirá-los de todas as situações difíceis e &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKnIbjhGM8I/AAAAAAAAAGs/rBwwk8CJEhw/s1600-h/Mona_CarloMorto.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5235936417510994882" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKnIbjhGM8I/AAAAAAAAAGs/rBwwk8CJEhw/s320/Mona_CarloMorto.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;sempre indicou o caminho. Agora estava ali, à beira da morte, balbuciando palavras incoerentes e sem conseguir se mover direito. Mona se sentia impotente. Queria ajudar mas sabia que não havia como. Não podia nem mesmo se aproximar dele e beijá-lo como tinha tido vontade tantas vezes antes, ao longo desses dias, quando ele lhe emprestava o braço forte para passar por algum obstáculo. Agora ela percebia que havia se apaixonado por ele e que seu amor estava ali, na tenda ao lado, morrendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Várias horas se passaram sem que ela tivesse nenhuma notícia de como Carlo estava. Sem conseguir aguardar mais a jovem levantou-se e se dirigiu à tenda onde Carlo ainda sobrevivia. Jeremias tentou impedi-la de entrar mas Mona o empurrou de lado e passou por ele como se não o visse. O rosto de Carlo estava plácido e tranqüilo. Suas feridas estavam escondidas embaixo do lençol que lhe cobria o corpo. Olhando para ele Mona reviu o homem que lhe havia salvo a vida inúmeras vezes nas últimas duas semanas. O grande guerreiro estava morto e nada havia que ela pudesse fazer. Chorando muito Mona abaixou-se e beijou os lábios frios do homem que havia despertado seu amor. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Deus de Aço havia caído. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1553956385968446220-8792943664808838440?l=mlsevero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mlsevero.blogspot.com/feeds/8792943664808838440/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1553956385968446220&amp;postID=8792943664808838440' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1553956385968446220/posts/default/8792943664808838440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1553956385968446220/posts/default/8792943664808838440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mlsevero.blogspot.com/2008/08/mona-captulo-3-pt-1.html' title='Mona - Capítulo 3 - pt 1'/><author><name>Marcio Severo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11239858084654660451</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKT4bldFdCI/AAAAAAAAAE0/DLnUj70qwxs/S220/lobosolitarioavat.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKnFCDO_5pI/AAAAAAAAAGc/Cw5-7B2_7bw/s72-c/mona_pira.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1553956385968446220.post-1502048885050054455</id><published>2008-08-14T10:10:00.000-07:00</published><updated>2008-08-29T14:59:54.845-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mona'/><title type='text'>Mona - Capítulo 3 - pt 2</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;A Lua Viva&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na manhã seguinte o corpo foi limpo e arrumado, como se estivesse se Carlo estivesse se preparando para a batalha, depois o colocaram sobre um estrado de madeira feito por Canjica e Jeremias. Por fim Jeremias se encarregou de atear fogo no estrado. As chamas arderam em volta do soldado caído e em poucas horas haviam-no reduzido a pó. As cinzas então foram recolhidas e atiradas ao Grande rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao cair da noite do segundo dia desde que aportaram na margem direita do rio, os quatro se reuniram em uma das tendas para decidir o que seria feito agora. O alerta de Carlo ainda ressoava na cabeça de cada um deles. Mas uma estranha mudança de atitude havia ocorrido nas últimas quarenta e oito horas. Especialmente em Mona e em Margarida. E foi a moça quem primeiro se dirigiu ao grupo. Estava visivelmente emocionada, mas mantinha-se firme, seca e fria, como se já tivesse derramado todas as lágrimas que existiam dentro de si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom, rapazes, vocês vieram aqui como minha escolta, para uma tarefa que deveria ter sido muito simples. No entanto já perdemos dois de nós e vocês ouviram o aviso de Carlo. Nas ruínas existe algo ou alguém cruel o suficiente para torturá-lo daquela forma. E também que esse alguém, por algum motivo que eu desconheço, está à minha espera. Pois bem, eu vou até lá. Eu vou descobrir quem é essa lua e vou acabar com ela. Eu gostaria de agradecer o que vocês fizeram por mim até aqui. Voltem para Fidis. Encontrem o tio Malman. Ele irá pagá-los conforme combinado. Sua jornada acabou. Agora eu devo seguir sozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Onde você está com a cabeça? Acha mesmo que vamos te deixar aqui sozinha? Com essa lua em seu encalço? Por quem nos toma, mocinha? – respondeu Margarida em voz baixa e firme. – Não, Mona, Carlo era nosso amigo e parceiro. Lutamos lado a lado muitas vezes e todos nós tivemos a vida salva por ele diversas vezes. Eu vou com você até essa lua, seja lá o que ela for. Não é mais uma questão de pagamento. Agora é uma questão de amizade. O Carlo não mentiu quando disse que morreríamos por você ou com você. Estamos nessa juntos. Nem que seja para morrermos juntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não vamos deixar a senhorita enfrentar sozinha essa coisa. – disse Jeremias, com sua voz gutural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Na-não vamos. Nós va-vamos até as ruí-ínas com você. E se for pra a gente mo-mo-morrer, en-então morremos todos ju-juntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vocês não viram o que aconteceu com o Carlo? O que essa coisa fez com ele? Vocês querem isso?&lt;br /&gt;- E você quer? – replicou Margarida sério.&lt;br /&gt;- Não. Claro que não. Mas não posso simplesmente virar as costas e fugir.&lt;br /&gt;- Pois é, mocinha, nem nós.&lt;br /&gt;- Mas é suicídio.&lt;br /&gt;- Nunca soube que você tinha tendências suicidas. Você tem?&lt;br /&gt;- Não, claro que não!&lt;br /&gt;- Mas quer ir até lá sozinha? Por favor, pare de bancar a mocinha tola. Você sabe que temos um problema a enfrentar, então vamos enfrentá-lo juntos.&lt;br /&gt;- Não sou nenhuma mocinha tola. Estava tentando preservar as vidas de vocês. Mas, se vocês querem seguir comigo, vou partir para as ruínas amanhã de manhã.&lt;br /&gt;- Era essa a respostas que estávamos esperando.&lt;br /&gt;-Sim.&lt;br /&gt;- S-s-sim, senhorita Mo-mona. Va-vamos juntos com-com a senhorita.&lt;br /&gt;- Tudo bem. Então estejam prontos para levantar acampamento amanhã no nascer do sol.&lt;br /&gt;- Ok, chefinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mona deu um sorriso triste para Margarida e se retirou para sua tenda pensando se deveria seguir sozinha ao encontro da maldita lua. Não. Tinha que admitir que se sentia melhor em encarar as ruínas na companhia dos rapazes.&lt;br /&gt;No alvorecer do dia seguinte o acampamento foi desarmado e os quatro remanescentes da expedição partiram em busca das ruínas e da lua viva. Mona e Margarida, ambos com suas armas em punho, seguiam lado a lado na frente do grupo. Nessa manhã Margarida havia trocado a cor de sua roupa. As botas, o chapéu e até mesmo a pluma eram de um negro lustroso, combinando com as calças, o colete e a longa capa. Apenas a bela camisa de mangas bufantes vermelho-sangue contrastava com o negrume total de sua roupa e de seu estado de espírito. Os quatro caminhavam cuidadosamente, sem falar, sem fazer qualquer ruído, espreitando a mata que se fechava em torno deles.&lt;br /&gt;Caminharam por duas horas, sem que nenhum incidente acontecesse. Já começavam a ficar um pouco mais relaxados quando com um estridente piar um animal desceu voando sobre Canjica, as garras em riste, apontadas para o rosto do rapaz. O olhar do predador estava fixo nos olhos de Canjica paralisando-o, o grito agudo como um mau agouro penetrando a mente dos aventureiros como se fosse uma ponta de metal atravessando os seus cérebros, de orelha a orelha. Em uma fração de segundos o animal o atingiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grito de Canjica quando as garras o acertaram fez Mona sair do transe e reagir. Atirando por instinto a moça disparou o explosor na direção da cabeça do animal, que agora estava perigosamente próxima dos olhos do rapaz. O disparo atingiu a cabeça do animal atirando-a para longe de Canjica, fazendo com que o bico se afastasse dos seus olhos. Um outro tiro, disparado por Margarida, acertou a “ave” logo abaixo da asa direita, terminando de matá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Correram para acudir um assustado Canjica, que de tão nervoso havia esquecido de gaguejar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que bicho é esse? Caramba, estou ferido. Eu vou morrer? Estou sangrando muito. Me ajuda gente.&lt;br /&gt;- Calma Canjica deixa O Margarida ver seu ferimento.&lt;br /&gt;- Estou ferido. Que bicho é esse? Eu não consegui reagir.&lt;br /&gt;- Cala a boca, porra!!!&lt;br /&gt;- Eu estou ferido, droga. Não quero morrer igual o Carlo.&lt;br /&gt;- Calma, Canjica. Você só tem um pequeno corte. O sangue é do animal. Fica tranqüilo. Respira fundo e fica tranqüilo. A gente já passou por situação pior que essa.&lt;br /&gt;- Tá bom. Tá. É a gente já passou por cada uma, né Margarida. Vou sair dessa, né?&lt;br /&gt;- Você só tem um talho onde o bicho te acertou. Já estou curando ele. Você vai ficar bem e voltar para sua nave.&lt;br /&gt;- É, só quero voltar para a nave e ir pro espaço. Isso aqui é muito ruim.&lt;br /&gt;- Há, há, há. O susto do Canjica foi tão grande que ele até ta falando direito. – Riu Jeremias com sua voz grave e arrastada.&lt;br /&gt;- Bom, Estamos todos bem? – Perguntou Mona.&lt;br /&gt;- Sim, tudo em ordem.&lt;br /&gt;- Que bicho é esse, alguém sabe?&lt;br /&gt;- Ele se chama Maglur, senhorita. É muito inteligente e habita as florestas de Órion Delta. Não sabia que existiam aqui também. Devemos tomar muito cuidado com eles. São mortais e sabem como atacar.&lt;br /&gt;- Obrigado Jeremias, mais alguma coisa?&lt;br /&gt;- Sim, em Órion eles servem de montaria para algumas tribos de humanos que existem por lá. Se estão aqui pode ser que tenham sido trazidos por humanos.&lt;br /&gt;- Alguém consegue domesticar esses bichos?&lt;br /&gt;- Não, é impossível. Como eu disse antes, eles são muito inteligentes. Eles escolhem se querem ajudar, ou não.&lt;br /&gt;- Hum, Entendi. Bom gente, agora também temos que ficar de olho no céu também.&lt;br /&gt;- Só agora? – Respondeu Margarida, sarcástico. – Minha querida jovenzinha, sempre preste atenção em tudo. No céu, no chão, em cada lado e atrás de cada obstáculo, se você quiser permanecer viva.&lt;br /&gt;-Tá bom, Margarida. Obrigado pelo aviso.&lt;br /&gt;- De nada, queridinha. Você sabe que pode contar comigo.&lt;br /&gt;- Vamos em frente?&lt;br /&gt;- Vamos lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuaram em frente, rumo às ruínas. Pelos cálculos de Jeremias faltava menos de uma hora de caminhada para atingem a entrada da cidade arruinada. Finalmente, quando faltava pouco mais de uma hora para o meio dia, eles a alcançaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade em ruínas era muito mais do que Mona poderia ter imaginado. Cerca de duzentas ou trezentas pequenas construções, a maioria circulares, construídas de pedras e algum tipo de material plástico estavam distribuídas por uma área cercada, divididas por ruas largas e retas, muitas dela já totalmente tomadas pela floresta. Alguns prédios maiores no final do que deveria ter sido uma avenida principal estavam em ótimo estado de conservação. Provavelmente ali ficava a administração da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhando cuidadosamente pelo meio da grande avenida eles seguiram em direção ao maior dos edifícios, um prédio de dois andares, cercado por belas colunas, que refletiam o céu esverdeado de Fidis, e com paredes largas e decoradas com imagens de homúnculos, muito parecidos com pequenos humanos. Em diversas imagens eles apareciam voando, montados em maglures, atacando patrulhas e naves de humanos. Pelos desenhos dava para imaginar que esses aliens deveriam ter em torno de um metro e vinte ou trinta de altura. Sua principal característica, no entanto, era sua cabeça, bem diferente da cabeça de um humano. As cabeças retratadas nas paredes eram maiores que a cabeça de um humano e eram estranhamente ovaladas. Os olhos eram grandes, sem cavidades e aparentemente sem cílios ou sobrancelhas, mas o olhar era doce e gentil. As bocas bem pequenas, com pequenos dentes pontudos. Não havia nos desenhos quaisquer sinais de orelhas nem de nariz. Apenas pequenos pontos pintados onde deveriam ser as cavidades nasais e auditivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grupo armou o acampamento no hall de entrada do prédio principal e enquanto os rapazes faziam a limpeza e armavam as armadilhas, Mona se dedicou a estudar cada desenho, em busca de pistas sobre aqueles estranhos seres. O que teria destruído uma civilização aparentemente tão avançada e capaz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mona e Jeremias passaram a tarde no edifício central, tentando achar uma forma de abrir as pesadas portas de aço que fechavam o prédio. Mona registrou cada detalhe do edifício, estudou os afrescos e as pinturas, tirou amostras do material usado nas paredes e no portal. Por fim se dedicou a decifrar as inscrições que haviam embaixo de cada imagem. Foram necessárias várias horas até que os sinais que estavam impressos na parede começassem a fazer sentido. Trabalharam diligentemente na tradução dos sinais e no meio da noite já haviam traduzido uma boa parte dos textos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveitando o tempo livre Margarida e Canjica se puseram a explorar o restante da cidade, revistando cada casa em busca de alguma coisa que ajudasse Mona a levá-los logo para longe dali. O silencio do lugar era opressor. Apenas os seus passos eu a respiração arquejante de Canjica eram ouvidos. Da maioria das casas não restava mais que uma ou outra parede em pé. Em algumas nem mesmo paredes existiam, apenas marcas no chão, onde um dia houveram casas, mesas e onde viveram pessoas daquele estranho povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite começou a cair rapidamente enquanto os dois ainda estavam explorando a região. Sombras se alongavam à sua volta e um vento gelado começou a assobiar em seus ouvidos. Ao longe ouviram o grito agudo de um maglur. Outro grito respondeu não muito longe e começaram a ouvir ruídos muito semelhantes a passos rápidos vindos em sua direção. Num acordo silencioso Margarida e Canjica se voltaram e começaram a fazer o caminho de volta, rumo ao prédio principal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O som de passos se aproximou rapidamente e os dois puseram- se a correr. Ainda não conseguiam ver seus perseguidores, mas tinham certeza de que eles estavam lá. Mais maglures gritaram, agora bem próximo de suas cabeças. Margarida agarrou a mão de Canjica e o forçou a correr mais e mais rápido. Sem olhar para trás sentiam que projéteis se chocavam no chão perto de seus pés. De longe puderam ver que Mona e Jeremias já estavam a postos, junto ao perímetro do acampamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Corre Canjica. Falta pouco, menino.&lt;br /&gt;- Não to guentando mais.&lt;br /&gt;- Cala a boca e corre, seu bostinha. – Gritou Margarida girando o corpo e atirando contra um agressor que se aproximava do garoto.&lt;br /&gt;- Tá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um projétil disparado por Jeremias passou por sobre as suas cabeças e explodiu contra um grupo de alienígenas que estavam bem próximos. Mona disparava rajadas plasmódicas contra as hordas de inimigos que se lançavam contra os dois aventureiros que corriam como loucos na direção do acampamento. Jeremias aguardou a passagem dos dois rapazes e acionou o lança-chamas, disparando um jato de fogo e calor contra os perseguidores, que diante da força daquela fornalha, recuaram desordenadamente. Diversos aliens corriam em chamas iluminando a noite e mostrando aos quatro aventureiros o grande número de invasores que os estavam atacando. Os corpos calcinados de muitos inimigos ficaram jogados ao longo da grande avenida. Um odor repugnante de carne e plástico queimados tomou conta do ar mas, felizmente, não houve um novo ataque naquela noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte todos os corpos haviam desaparecido. Exceto por um chamuscado aqui ou ali, não haviam vestígios de que na noite anterior havia sido travada uma batalha naquelas ruas. De armas em punho Jeremias e Margarida fizeram uma nova exploração das ruas da cidade em ruínas, mas nada encontraram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mona passou o dia decifrando os textos e analisando o material encontrado. Queria descobrir como abrir a porta do templo da lua. Pelos textos já decifrados ela havia descoberto que aquele templo era devotado à principal deusa dos alienígenas e que ali eles se reuniam para todo tipo de ritual. Se penetrasse no templo, Mona poderia descobrir mais sobre a origem dos Hurrus. Esse era o nome com que eles se referiam a si mesmos. Era incrível que ainda existissem tantos deles vivos e ninguém soubesse nada sobre sua existência. Agora sua principal tarefa era descobrir o máximo possível sobre aquele povo e voltar para a universidade. A noite já começava a cair novamente quando ela decifrou o mecanismo para abertura do templo. Depois de uma pequena discussão decidiram aguardar o dia seguinte antes de explorá-lo. A noite poderia trazer um novo ataque Hurru e eles precisavam estar preparados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mona acordou com um toque suave em seu rosto. À sua frente estava uma jovem alienígena, os grandes olhos azuis pousados fixamente nos seus olhos. Por algum motivo a moça não sentiu medo. Havia naquele olhar tal doçura e gentileza que a fizeram ter confiança, mesmo sabendo o que havia acontecido com os outros que já haviam tido contato com os Hurrus. Mesmo sabendo o que havia acontecido a Carlo. A jovem falou com uma voz suave e límpida, musical. Falava em galáctico padrão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Levante-se, por favor. Não vamos te machucar, pode confiar em mim. Você e seus amigos estão a salvo conosco.&lt;br /&gt;- Quem é você?&lt;br /&gt;- Meu nome é Kudria. Sou uma amiga. Por favor, venha comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem pensar duas vezes Mona levantou-se e seguiu Kudria para fora de sua tenda. Do lado de fora estavam cerca de oitenta hurrus e entre eles Margarida, Canjica e Jeremias, todos sem nenhum ferimento aparente. Olhando bem para eles Mona reparou que esses hurrus eram diferentes dos que estavam pintados nas paredes do templo. Eram mais altos, quase de sua altura, tinham a pele mais clara e os olhos eram bem menores que os pintados. Eram muito parecidos com os humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kudria lançou um olhar divertido para Mona e disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você deve estar estranhando que somos diferentes dos hurrus que estão pintados no templo da lua, não é?&lt;br /&gt;- Sim, Eu estava pensando exatamente nisso. Vocês não são hurrus?&lt;br /&gt;- Sim, e não. – respondeu Kudria enigmaticamente. – venham comigo e vocês entenderão.&lt;br /&gt;- O que vai acontecer conosco? Vocês vão nos torturar, como fizeram com o Carlo? – perguntou Jeremias, com voz calma.&lt;br /&gt;Kundria o olhou com tristeza antes de responder.&lt;br /&gt;- Não fomos nós que o matamos, mas temos nossa parcela de culpa, não posso negar. Venham conosco. Vocês não têm nada a temer. Venham e ouçam o que temos a dizer.&lt;br /&gt;- E-e se a-a-a g-gente n-não qui-quiser ir?&lt;br /&gt;- Por favor, não tentem fugir. Venham conosco. Não vamos lhes fazer mal. – respondeu Kudria com um leve tom de urgência na voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os quatro se olharam ansiosos, não havia dúvida de que eram prisioneiros, apesar da gentileza com que eram tratados e que os hurrus não hesitariam em matá-los se tentassem se evadir. Margarida então tomou a dianteira, deu um braço para a hurru que estava ao seu lado e falou com um sorriso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que nada Kudrinha, você é tão gentil, vamos com você. – E virando-se para a hurru que estava com os braços entre o seu disse - Sabe? Você devia tentar usar uma roupa mais voltada pro azul. Ia ficar liiindo com seus olhos, sabia? Qual seu nome?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tagarelando ao lado da jovem hurru Margarida seguiu Kudria, Mona e os outros para dentro do Templo da Lua.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1553956385968446220-1502048885050054455?l=mlsevero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mlsevero.blogspot.com/feeds/1502048885050054455/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1553956385968446220&amp;postID=1502048885050054455' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1553956385968446220/posts/default/1502048885050054455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1553956385968446220/posts/default/1502048885050054455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mlsevero.blogspot.com/2008/08/mona-captulo-3-pt-2.html' title='Mona - Capítulo 3 - pt 2'/><author><name>Marcio Severo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11239858084654660451</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKT4bldFdCI/AAAAAAAAAE0/DLnUj70qwxs/S220/lobosolitarioavat.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1553956385968446220.post-514957696354366147</id><published>2008-08-14T10:00:00.000-07:00</published><updated>2008-09-01T06:28:31.513-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mona'/><title type='text'>Mona - Capítulo 4 - pt 1</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A grande porta se fechou atrás deles isolando-os do mundo. Dentro do templo havia uma luz suave e quente. Uma sensação agradável se apoderou de todo o corpo de Mona. Era quase como se estivesse dentro de casa, de volta a Nhagha, em frente ao velho fogo na cozinha de sua casa. Há tanto tempo não pensava em sua família. Lágrimas molharam seus olhos e uma saudade intensa se espalhou por sua mente. Saudades dos irmãos menores e de sua mãe. Saudades principalmente de seu velho pai. Ela se deu conta de que nem mesmo sabia se eles ainda estavam vivos e bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voz suave de Kudria afastou seus pensamentos e a fez voltar à realidade. Haviam parado em frente a uma porta. A jovem alienígena falou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mona, você deve cruzar essa porta sozinha. Vamos esperá-la aqui. Não se preocupe nada de mal vai acontecer a você nem aos seus amigos.&lt;br /&gt;- Você sabe meu nome?&lt;br /&gt;- Sim, sabemos muito sobre você. Estamos esperando há muito tempo por você. Nós precisamos de sua ajuda. Por favor, siga em frente.&lt;br /&gt;- Minha ajuda? Como assim?&lt;br /&gt;- Você saberá de tudo quando atravessar a porta. Por favor, vá.&lt;br /&gt;- Senhorita Mona, acho que é muito perigoso ir sozinha. – disse Jeremias preocupado.&lt;br /&gt;- Ela deve seguir só. – apartou Kudria – mas não se preocupe. Nem ela, nem vocês têm nada a temer.&lt;br /&gt;- Tudo bem Jeremias, vou estar bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sala onde Mona entrou era pequena, pouco mais que um quarto. Estava pobremente mobiliada, apenas duas cadeiras e uma pequena mesa no centro. Em um canto havia uma pequena janela que dava para um pequeno jardim interno. Haviam flores sobre a mesa e um grande jarro com uma árvore num canto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parada em frente à janela observando o jardim se encontrava uma mulher humana. Ela estava de costas para a porta mas Mona pode perceber que ela era alta e seu corpo era bem proporcionado. Seus longos cabelos castanhos caiam lisos sobre os seus ombros. Aparentava juventude, mas por algum motivo Mona percebeu que havia nela a sabedoria de muitos anos passados. A mulher não parecia ter se dado conta de que Mona estava ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mona ficou parada junto à porta, aguardando. A silueta da mulher prendia o seu olhar. Havia alguma coisa errada com ela. O ar ao seu redor tremulava fracamente, como se fosse uma imagem holográfica, mas Mona tinha certeza de que a mulher estava ali. Não era uma holografia. O que estaria acontecendo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente a mulher se voltou. Sua beleza era calma e suave. Como uma flor. Sua pele era muito branca e contrastava fortemente com os lábios pequenos e vermelhos. Um par de olhos muito azuis se fixaram em Mona. Havia naqueles olhos algo que deixou a jovem incomodada. Uma antiguidade e sabedoria incompatível com a aparente juventude daquela mulher. Ela deu um sorriso, triste e contido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olá Simone, eu estava esperando por você – disse a mulher com uma voz baixa e melodiosa.&lt;br /&gt;- Você me conhece?&lt;br /&gt;- Na verdade, não. Eu gostaria de te conhecer melhor, mas sei de você o suficiente para te pedir ajuda e colocar o futuro de meu povo em suas mãos.&lt;br /&gt;- Quem é você?&lt;br /&gt;- Eu sou Gorgéa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mona deu um passo para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A lua viva! – sussurrou audivelmente.&lt;br /&gt;- Sim, a lua tem o meu nome. – respondeu Gorgéa sorrindo tristemente.&lt;br /&gt;- Mas você não pode ser a mesma Gorgéa. Ela morreu há mais de mil anos.&lt;br /&gt;- Eu não morri. Os hurrus nos viram caindo e lançaram um escudo que diminuiu a velocidade de nossa queda mas apenas isso não teria sido suficiente para evitar que eu morresse. Minha irmã, Marcear, ficou por baixo de meu corpo e recebeu sozinha todo o impacto quando chegamos no chão. Ela morreu por mim. Os hurrus tentaram salvá-la mas não havia mais nada o que fazer. Então eles me resgataram e trouxeram para cá.&lt;br /&gt;- Mas como você pode estar viva depois de tanto tempo?&lt;br /&gt;- Como você já deve ter ouvido falar, existem milhares, milhões de universos coexistindo no vácuo. E em alguns deles o tempo anda de uma forma diferente dos outros.&lt;br /&gt;- Por isso que parece que estou vendo uma imagem sua?&lt;br /&gt;- Sim, eu estou numa espécie de limbo, nem no nosso universo, nem em outro. O tempo para mim está parado, mas eu estou fortemente ligada ao nosso plano, por isso posso estar aqui, sem sofrer a ação do tempo.&lt;br /&gt;- Mas, mesmo assim, eu estou morrendo. Meu tempo está se acabando e por isso preciso de sua ajuda.&lt;br /&gt;- Porque você está morrendo? Se o tempo não passa para você, você deveria viver para sempre.&lt;br /&gt;- Os hurrus são um povo simples e gentil. Eles não possuem grandes avanços em tecnologia, naves, armas e inteligências artificiais como os humanos mas eles possuem um dom.&lt;br /&gt;- Qual?&lt;br /&gt;- Eles podem enxergar outros universos, e viajar por eles. E foi assim que eu fui salva. Eles me trouxeram para um universo paralelo mas, por eu ser humana, não pude completar a jornada até outro universo e por isso fui mantida aqui, viva e ligada ao nosso próprio universo através de um portal. Isso me manteve por mil anos mas agora o portal está se fechando rapidamente e quando ele se fechar eu morrerei.&lt;br /&gt;- Mas está se fechando por quê?&lt;br /&gt;- Os universos não são estáticos, eles se movem, lenta e inexoravelmente, em um movimento pulsante, se aproximando e afastando lentamente ao longo dos milênios. Nossos universos estão chegando a uma distância maior do que o portal pode sustentar.&lt;br /&gt;- Os hurrus não podem mantê-lo aberto? Ou levá-la para outro universo?&lt;br /&gt;- Não podem e eu não o desejo.&lt;br /&gt;- Não? Você quer morrer?&lt;br /&gt;- Simone, eu já vivi um milênio. A maior parte dele presa em um vácuo temporal, sozinha. Eu vi todos aqueles que eu amei sumirem ao longo do tempo, enquanto eu permanecia aqui, para eles uma deusa, uma mãe e uma esperança, para mim, uma mulher presa em uma existência sem presente, nem futuro. Apenas um passado. Um passado que não me traz felicidade.&lt;br /&gt;- Você deve estar me achando uma louca, uma fútil. Eu tenho tudo o que qualquer mulher no universo desejaria e não estou satisfeita, não é? – Gorgéa deu um sorriso triste e continuou em um tom de voz ainda mais baixo, quase um sussurro - A juventude eterna, o amor, não de um homem, mas de todo um povo, o poder de determinar os rumos de toda uma raça. A imortalidade.&lt;br /&gt;- Sabe Simone, mesmo depois de mil anos eu permaneço sendo uma mulher e humana. Eu trago dentro de mim a paixão e o inconformismo que nos caracteriza. Eu não desejava a adoração de um povo, mas apenas o amor de um homem. Eu não queria ser imortal, mas apenas poder viver minha vida, sair por aí, como você mesma fez, mas aqui estou eu, presa entre dois universos. Já chorei muito e pedi muitas vezes para ser libertada dessa prisão, mas eu sei que não podia ser e então aceitei meu destino.&lt;br /&gt;- Eu vi muita coisa ao longo desses séculos de vida. Senti muita dor em meu coração por ver pessoas que eu amei desaparecerem, enquanto eu era mantida aqui, presa para meu próprio bem.&lt;br /&gt;- Mas não apenas eu estou morrendo, os hurrus também estão. E eu preciso de sua ajuda\para salvá-los.&lt;br /&gt;- Por que eles estão morrendo?&lt;br /&gt;- Você deve ter reparado que os hurrus de hoje são diferentes dos que estão pintados nas paredes do templo, não?&lt;br /&gt;- Sim, eu reparei. Eles estão mais parecidos com os humanos, parece que cresceram e – de repente Mona parou e olhou para Gorgéa. – Você teve filhos com os hurrus?&lt;br /&gt;- Sim. Ao longo dos séculos eu gerei filhos para os hurrus. E meus filhos tiveram filhos e meu sangue se espalhou entre o povo hurru, modificando-o. E meus filhos e filhas se tornaram os lideres desse povo. Um filho a cada geração.&lt;br /&gt;- Kudria?&lt;br /&gt;- Sim, Kudriaé minha última filha.&lt;br /&gt;- Mas sem o querer eu os condenei, porque, por minha culpa, os hurrus estão se tornando estéreis. Eu sabia que isso poderia acontecer mas, com toda a prepotência da raça humana, eu ignorei essa possibilidade. Um gene humano, passado por mim e propagado por meus filhos entre os hurrus, ao longo de mil anos, está impedindo que novos hurrus nasçam. Meu povo está morrendo e você pode me ajudar a salvá-los.&lt;br /&gt;- Eu? Como eu posso salvá-los? Nada sei sobre eles?&lt;br /&gt;- Não você, seu ventre.&lt;br /&gt;- Como assim?&lt;br /&gt;- É preciso que você gere um novo hurru. Com um novo gene, que combaterá, ao longo dos anos, a esterilidade que eu provoquei.&lt;br /&gt;- Como assim? Você quer que eu me deite com um deles?&lt;br /&gt;- Na verdade, não. Um óvulo seu será retirado, fecundado e depois inserido em seu útero para que siga o processo normal de gestação.&lt;br /&gt;- Você deve estar brincando.&lt;br /&gt;- É necessário Simone, e será feito. Se você fizer de vontade própria será mais fácil, mas se não, eu vou fazer de qualquer forma.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1553956385968446220-514957696354366147?l=mlsevero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mlsevero.blogspot.com/feeds/514957696354366147/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1553956385968446220&amp;postID=514957696354366147' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1553956385968446220/posts/default/514957696354366147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1553956385968446220/posts/default/514957696354366147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mlsevero.blogspot.com/2008/09/mona-captulo-4-pt-1.html' title='Mona - Capítulo 4 - pt 1'/><author><name>Marcio Severo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11239858084654660451</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKT4bldFdCI/AAAAAAAAAE0/DLnUj70qwxs/S220/lobosolitarioavat.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1553956385968446220.post-2808906468013750986</id><published>2008-08-14T06:10:00.000-07:00</published><updated>2008-12-21T15:18:29.463-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mona'/><title type='text'>Mona - Capítulo 4 - pt 2</title><content type='html'>Kudria voltou-se para Jeremias e disse com voz baixa e calma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por favor, senhores, sigam-me.&lt;br /&gt;- Você disse que íamos esperar a senhorita Mona aqui. – Retrucou Jeremias, desconfiado. – Para onde você quer nos levar agora?&lt;br /&gt;- A senhorita Simone estará bem. Imagino que estejam com fome e queiram banhar-se e dormir um pouco. Vou levá-los até os aposentos de visitantes. Lá vocês poderão descansar e comer.&lt;br /&gt;- Vocês nem sempre são tão amistosos assim, não é querida?&lt;br /&gt;- A que o senhor se refere?&lt;br /&gt;- Um amigo nosso veio aqui antes de nós e ele foi torturado e morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kudria deu um profundo suspiro, baixou a cabeça e respondeu em voz baixa, olhando para o chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você deve estar falando do senhor Carlo, não é?&lt;br /&gt;- Ah, foi você quem o torturou?&lt;br /&gt;- Ao contrário senhor. Eu o amei e esperei ser amada por ele, mas Carlo nunca a esqueceu. Eu carrego um filho dele em meu ventre.&lt;br /&gt;- O quê? Você deve estar brincando. O Carlo não passou mais que algumas horas aqui. Como é que você pode tê-lo amado. E quem ele nunca esqueceu? Que viagem é essa? – Disse, indignado, Jeremias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um jovem hurru aproximou-se e falou em voz baixa com Kudria. Ela acenou com a cabeça e depois voltou-se para Margarida e falou, apontando para o jovem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esse é Moraneo. Ele é um dos nossos mais jovens soldados. Ele tem apenas 20 anos, segundo o seu modo de contar o tempo.&lt;br /&gt;- E daí, benzinho? O que isso tem a ver com o Carlo?&lt;br /&gt;- Moraneo é filho do senhor Carlo.&lt;br /&gt;- Que? – berraram em uníssono os três.&lt;br /&gt;- O-o Ca-carlo só PA-passou algu-gumas ho-horas aqui.&lt;br /&gt;- Pois é. Que história é essa? Vocês estão querendo brincar com a gente?&lt;br /&gt;- Não me levem a mal, por favor, senhores. Eu estou falando a verdade.&lt;br /&gt;- Meu amor, é simplesmente im-pos-sí-vel o Carlo ter um filho de vinte anos se ele só passou um tempinho aqui. Não tem como, ta? Qual é a sua?&lt;br /&gt;- Senhor, aqui o tempo passa de uma forma diferente do seu tempo.&lt;br /&gt;- Como assim?&lt;br /&gt;- Desde que cruzamos o portal do templo da lua nós estamos em um plano diferente daquele que vocês vieram. Quando vocês atravessarem aquela porta novamente poucos minutos terão passado na sua dimensão, mas diversos anos poderão ter passado aqui.&lt;br /&gt;- Mas, mas. – tentou falar Jeremias, mas as palavras não vinham.&lt;br /&gt;- Sim, eu entendo. Vocês estão acostumados a pensar em apenas uma dimensão.&lt;br /&gt;- Querida! Você está querendo me dizer que nós não estamos mais em Fidis?&lt;br /&gt;- Sim, vocês continuam em Fidis, mas em uma outra dimensão de Fidis. Um universo paralelo. Na verdade vocês estão a meio caminho de um universo paralelo. Por algum motivo, que não entendemos, vocês humanos não conseguem terminar a travessia entre as dimensões. Parece que vocês estão tão presos à sua própria dimensão que não é possível terminar de atravessar.&lt;br /&gt;- Então nós não podemos entrar em sua dimensão? – Perguntou Jeremias.&lt;br /&gt;- Não, não podem. Se vocês tentarem passar pelo portal para a nossa dimensão vocês ficarão presos entre os dois universos.&lt;br /&gt;- E vocês pretendem nos deixar aqui?&lt;br /&gt;- Não sei. Sinceramente não sei o que minha mãe pretende fazer.&lt;br /&gt;- E é com sua mãe que a senhorita Mona está conversando?&lt;br /&gt;- Sim. Ela é uma humana, como vocês. Ela tentou fazer a travessia para a nossa dimensão.&lt;br /&gt;- Então ela está entre as duas dimensões?&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- Como alguém pode estar nem cá, nem lá? Isso é demais para minha cabecinha. Ou está aqui ou está lá.&lt;br /&gt;- Infelizmente, senhor&lt;br /&gt;- Me chame de Margarida. Sem o senhor, por favor.&lt;br /&gt;- Como quiser. Infelizmente Margarida as coisas não são tão simples quando pensamos em dimensões e universos paralelos. Entre as diversas dimensões existem pontes que nos permitem seguir de um lado para outro, mas o seu povo, uma vez na ponte, não consegue abrir as portas do outro lado. Minha mãe passou a porta de um lado, mas não conseguiu abrir a do outro. E também não conseguiu mais abrir a porta para retornar ao seu mundo.&lt;br /&gt;- E um de vocês não consegue abrir a porta para ela?&lt;br /&gt;- Nós já tentamos mas ela não consegue ver a porta aberta. É um caminho que ela tem que encontrar sozinha e por onde tem que passar com suas próprias pernas. Por mais que tentemos, está além de nossas forças ajudá-la.&lt;br /&gt;- Mas você disse que o Carlo foi ao seu mundo e voltou.&lt;br /&gt;- Sim. – Disse Kudria pensativamente - Ele conseguiu terminar a travessia. Por mais de mil anos nós acreditamos que era impossível alguém de sua raça ultrapassar as pontes entre os universos, mas ele conseguiu.&lt;br /&gt;- Como ele conseguiu e sua mãe não? – perguntou Jeremias. - E quem é sua mãe?&lt;br /&gt;- O nome de minha mãe é Gorgéa. Ela é aquela que deu o nome à lua branca.&lt;br /&gt;- Há, queridinha, não brinca com a gente, ta? Ela teria mais de mil anos agora.&lt;br /&gt;- Sim, ela tem pouco mais de mil e duzentos anos.&lt;br /&gt;- Tudo isso que você está falando é verdade? – Continuou Jeremias, sem se importar com a interrupção de Margarida.&lt;br /&gt;- Sim, é verdade, garanto a vocês.&lt;br /&gt;- Então me explique porque Carlo passou e sua mãe não, por favor.&lt;br /&gt;- Depois que o senhor Carlo conseguiu terminar a travessia muitos de nossos sábios puseram a se perguntar justamente isso. Por que ele conseguiu atravessar. Acreditamos que tenha algo a ver com a clareza da mente do senhor Carlo. Entendam. Quando Gorgéa, minha mãe, tentou ultrapassar a ponte entre nossos universos, ela estava fraca e confusa. Ela havia tentado se matar, junto à sua irmã, e sentia culpa por Marcear ter morrido e ela não. Hoje nós acreditamos que essas dúvidas tenham sido as responsáveis por sua prisão. Ela está presa dentro de sua própria mente.&lt;br /&gt;- E o Carlo não tinha dúvidas?&lt;br /&gt;- O senhor Carlo era dominado pelos sentimentos de dever e de responsabilidade.&lt;br /&gt;- Sim. O Carlo era assim. – disse Jeremias.&lt;br /&gt;Depois de alguns segundos Kudria continuou.&lt;br /&gt;- Ele também era dominado pelo rancor e ódio por uma mulher. Laurane. Ela lhe fez muito mal.&lt;br /&gt;- Ai, amorzinho. Há anos ele não pensava mais naquela vaca.&lt;br /&gt;- Não, Margarida. Ele pensava nela todos os dias. Todo o tempo ele a tinha na cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um silêncio pairou sobre o grupo, enquanto todos pensavam em Carlo e em quanto ele deve ter sofrido para ainda pensar nela, tantos anos depois, impressionados como certas feridas de amor custam a se fechar.&lt;br /&gt;Finalmente, depois de vários minutos Jeremias voltou à carga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E agora? O que vocês pretendem fazer conosco? E porque torturaram Carlo daquela forma?&lt;br /&gt;- Nós não o torturamos, pelo menos não conscientemente. Uma noite o senhor Carlo fugiu de onde estava hospedado e atravessou a ponte de volta para o seu plano. Ao sair pelo portão do templo da lua ele se viu no meio de um grupo de maglures. Eles o atacaram e provocaram os ferimentos que vocês viram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas ...&lt;br /&gt;- Acreditem em mim. Nós não lhes queremos mal. Nem queríamos mal ao senhor Carlo. Por favor, aceitem nossa hospitalidade e sigam-me. Vocês ficarão bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---------------------------- * ----------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mona permaneceu um bom tempo olhando dentro dos olhos de Gorgéa, em um silêncio meditativo e profundo. Em sua mente faiscavam imagens do seu passado. Um sentimento de indignação e revolta crescia dentro do seu peito. Não aceitaria ser tratada como se fosse uma porca reprodutora. Um mero receptáculo.    Não deixaria seu corpo usado à sua revelia. Também não queria se submeter àquela gravidez. Só em pensar que se aceitasse o que Gorgéa estava propondo lhe dava arrepios. Ela não carregaria um alien dentro de si. De forma alguma aceitaria isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então Mona, o que você escolhe?&lt;br /&gt;- Por quê tem que ser dessa forma? Por quê uma das fêmeas hurru não engravida de um dos rapazes? Tenho certeza de que eles não ficarão chateados com isso.&lt;br /&gt;- Você acha que nós não tentamos isso antes? Infelizmente não funcionou como deveria. Os hurrus possuem uma estrutura de DNA diferente da nossa. Na verdade inversa à nossa, o que faz que as hurrus inoculadas com espermas humanos necessariamente tenham filhos machos. Ao passo que as mulheres humanas que engravidam de hurrus necessariamente terão filhas. E para fazermos a população de hurrus voltar a crescer nós precisamos de fêmeas e não de machos. É através delas que o gene corrigido se propagará. Você é a única saída.&lt;br /&gt;- Não. Eu não aceito que vocês usem meu corpo dessa forma.&lt;br /&gt;- Por favor, não faça isso ser ainda mais complicado. Não queremos agir à sua revelia, mas não deixarei todo um povo desaparecer por causa de sua insensibilidade e egoísmo.&lt;br /&gt;- Egoísmo? E minha dignidade? Você está me usando, ameaçando usar o meu corpo sem meu consentimento.&lt;br /&gt;- Mona será que você não é capaz de se sacrificar um pouquinho que seja para promover um bem tão maior? Pense que você será a mãe de todo um povo. A salvadora de todo um povo, assim como eu fui a ruína desse povo.&lt;br /&gt;- Não, não... Por favor, não me peça isso. Eu não estou preparada para ser mãe.&lt;br /&gt;- Nenhuma de nós está preparada, até o momento de o ser. Você está assustada porque é algo novo e inesperado. Confie em mim. Tudo dará certo. E depois, se assim o desejar, você poderá partir, como se nada tivesse acontecido aqui.&lt;br /&gt;- Como se nada tiver acontecido? Você está me pedindo para ter um filho, deixá-lo para trás e esquecer que ele existe. Um filho alienígena. Você não percebe o quanto está exigindo de mim? Como você acha que eu vou me sentir sabendo que gerei uma criança e a abandonei? Como eu poderei me olhar no espelho e ter respeito por mim mesma? Você está me pedindo demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mona respirava fundo. O ar vinha em arquejos. Era como um pesadelo. Sem perceber o que fazia ela caminhava de um lado a outro da sala, uma fera enjaulada. Seus sentimentos eram confusos mas acima de todos eles ela sabia que estava o medo.  Medo de ser mãe, de todas as transformações que seu corpo sofreria nesse processo. Não. Estavam pedindo demais. Ela estava pronta para fazer sacrifício, sim. Mas esse era um sacrifício grande demais. Ela estava confusa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Simone – chamou Gorgéa com voz doce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mona parou e olhou para a imagem daquela mulher que lhe pedia tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Simone, eu não quero o seu mal. – disse ela com lágrimas nos olhos. – eu estou te pedindo ajuda. Por favor, me ajude a salvar os hurrus e consertar o mal que eu causei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu, não posso. – e num gesto de desespero Mona abraçou o próprio corpo, virando de costas para a outra mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por quê não? – sussurrou Gorgéa.&lt;br /&gt;- Eu tenho medo.&lt;br /&gt;- De quê?&lt;br /&gt;- Quando estava vindo para Fidis eu fui emboscada por piratas. Eu lutei contra eles e matei alguns.&lt;br /&gt;- E o que isso tem a ver com o nosso problema?&lt;br /&gt;- Eu não contei para ninguém o que aconteceu de verdade em minha viagem.&lt;br /&gt;- E o quê foi?&lt;br /&gt;- Depois de explodir as duas naves dos piratas eu achei que estava sozinha e segui em direção a Fidis mas.&lt;br /&gt;- Mas o quê?&lt;br /&gt;- Eles me pegaram.&lt;br /&gt;- Os piratas?&lt;br /&gt;- Sim. Os piratas. Eles me aprisionaram e..&lt;br /&gt;- E?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1553956385968446220-2808906468013750986?l=mlsevero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mlsevero.blogspot.com/feeds/2808906468013750986/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1553956385968446220&amp;postID=2808906468013750986' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1553956385968446220/posts/default/2808906468013750986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1553956385968446220/posts/default/2808906468013750986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mlsevero.blogspot.com/2008/12/mona-captulo-4-pt-2.html' title='Mona - Capítulo 4 - pt 2'/><author><name>Marcio Severo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11239858084654660451</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKT4bldFdCI/AAAAAAAAAE0/DLnUj70qwxs/S220/lobosolitarioavat.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1553956385968446220.post-3044358739363476170</id><published>2008-08-14T06:05:00.000-07:00</published><updated>2008-12-21T15:17:24.582-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mona'/><title type='text'>Mona - Capítulo 4 - pt 3</title><content type='html'>Por mais rápido que tenha tentado fazer a manobra os piratas foram mais ainda rápidos e fecharam sua saída.  Agora ela tinha três naves piratas à frente e um asteróide às suas costas. Mona armou os mísseis e retirou a tampa de proteção do acionador. Não se entregaria assim tão facilmente. Levaria pelo menos um deles com ela. Sentia medo. Mirou na nave mais à esquerda. Acionou os seus mísseis no mesmo instante que os inimigos. O impacto contra o seu escudo a jogou contra o painel de comando.  Sentiu a manopla de comando bater contra o seu peito e ficou sem ar. Olhou para frente e o brilho das explosões a cegou. Tentou respirar, mas parecia que o ar não entrava em seus pulmões. Desmaiou um momento depois de ouvir a plataforma de acoplamento se chocar contra a sua nave. Estava entrando no inferno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mona acordou momentos depois com um gemido. O peito doía e a respiração estava difícil. Não tinha certeza de onde estava e do que estava acontecendo. Ao longe ouvia o barulho de ferro contra ferro. Sacudiu a cabeça para tentar clarear as idéias.  De repente lembrou-se que sua nave fora atacada e que piratas estavam forçando sua escotilha de acoplamento. Levantou-se rapidamente, mas a dor no peito a jogou de volta à cadeira. A pancada que dera no painel havia sido muito forte. “No mínimo quebrei uma costela” pensou amargamente. O barulho dos piratas continuava. Dentro de instantes eles estariam na sua nave e ela poderia fazer muito pouco contra eles. Fez um novo esforço para se levantar. Caminhou se apoiando nas paredes até o armário de armas e empunhou uma pistola. Pelo menos tentaria resistir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um forte estrondo indicou que a escotilha havia cedido. Dali a poucos segundos ela estaria face a face com seus captores. Armou a pistola e se preparou para atirar no primeiro que entrasse na cabine. Sentia o suor frio escorrer pelas suas têmporas.  A arma pesava em suas mãos.  O som de vozes rudes se aproximava cada vez mais da cabine. O primeiro pirata que passou pelo umbral foi atingido em pleno rosto por um tiro certeiro, seu corpo ficou caído impedindo o fechamento da porta. Os outros, ao verem seu companheiro tombar, recuaram e iniciaram uma feroz carga de tiros, destruindo todo o painel de comando. Mona se encolheu em baixo de uma cadeira. Sentia os tiros zunirem à sua volta e o desespero novamente começou a tomar conta. Por uma pequena brecha ela observava a porta, onde o corpo do pirata ainda estava caído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de algum tempo os tiros cessaram. Mona armou sua pistola novamente e apontou. Aguardou alguns segundos até o primeiro pirata mostrar o rosto. Mona o matou antes mesmo que ele conseguisse saltar sobre o companheiro.  Seu corpo rolou pelo chão e parou a poucos metros de onde ela estava. Seus olhos permaneceram abertos, como que olhando diretamente para ela. Mona se agachou mais um pouco dentro do esconderijo e esperou o próximo.  Sentia o corpo totalmente retesado, a tensão fazia que ela se agarrasse à coronha da pistola até os nós de seus dedos ficarem brancos de tanta força. Tentou se acalmar um pouco. Estava com muito medo, mas sabia que se quisesse sair desta viva teria que lutar até o final. Observou o rosto do pirata morto. Um rosto rude e cruel. A barba castanha e desgrenhada lhe dava um aspecto animalesco. Seus dentes eram negros e quebrados. Ela reparou nas cicatrizes que lhe sulcavam o rosto e pensou em como ele deve ter sido brutal. Seus olhos eram cruéis, mesmo agora, morto. Mona estremeceu levemente. Não gostaria de cair nas mãos destes tipos. Teria que resistir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um grito aterrador a arrancou dos devaneios. Os piratas atacaram de surpresa. Saltaram para dentro da cabine antes que Mona pudesse atirar. Sem conseguir mirar direito ela disparou, mas acertou o pirata apenas de raspão. Enquanto isso um segundo pirata a puxava de dentro de seu esconderijo pela gola de seu colete. Ela tentou correr, mas braços imensamente fortes a agarraram pela cintura. Começou a se debater.  O pirata ferido se aproximou e deu-lhe um soco em pleno rosto.  A sua cabeça foi jogada para trás, contra o peito do que a agarrava. Sentiu o gosto de sangue. De seu sangue que escorria pela boca. Um novo soco, no estomago lhe tirou todo o ar. Mona tossiu forte e uma golfada de sangue atingiu o pirata que lhe golpeava. Um novo soco, novamente no estomago a pôs em nocaute. Não sentia mais nada. Olhou o rosto do pirata, que ria da sua derrota. Tudo ficou escuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tudo continuava escuro quando recuperou os sentidos. Um cheiro amargo de sujeira e excrementos incomodou suas narinas. Esperou um tempo até as vistas se adaptarem à escuridão do local e sem se mexer começou a olhar em torno. Estava numa cela imunda. Num canto um catre servia de cama. Havia uma pequena janela com grossas barras metálicas. Estava em algum planeta, talvez até mesmo em Fidis. Sentiu um vento frio entrar e se encolheu um pouco mais. Seu rosto doía. Examinou a cela com mais cuidado. Não media mais que quatro metros quadrados. Ela reparou  que não havia um reservado, só um buraco num canto, onde teria que fazer suas necessidades. Sentia fome, e muita sede. Gostaria de saber a quantos dias estava trancada ali. Será que Malman tinha recebido alguma de suas mensagens?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouviu o som de passos e vozes se aproximando. A porta se abriu com um estrondo. A silhueta de  homem enorme se desenhou no chão. Ele deu uma olhada para Mona e falou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah. A cadelinha acordou. Hamus  vai gostar de saber disso. – falou com uma voz rude e grossa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bateu a porta e partiu, para voltar alguns instantes depois com um capanga. Violentamente eles a levantaram e a jogaram pelo vão da porta. Mona bateu na parede fronteiriça e caiu no chão, eles a puxaram pelos braços até uma grande sala onde a jogaram no chão, diante da cadeira do maior e mais horrendo homem que já vira. Sua pele era clara e marcada por manchas e cicatrizes. Sua barba loura descia até o peito e parecia suja e cheia de nós. Seus olhos muito azuis eram frios e cruéis. Seus braços eram fortes e cobertos de tatuagens azuis. Quando falou sua voz reverberou por todo o salão, grave e rústica. Sem nenhum sinal de piedade ou de compaixão. Mona se lembrou das histórias contadas pelo padre de Nhagha. Com certeza estava diante do próprio senhor das trevas. Ficou jogada no chão, de cabeça baixa, com medo até de olhar para aquela criatura. Um dos piratas que a havia trazido da cela lhe puxou pelos braços e fez que se ajoelhasse diante daquele homem. Se alguma vez na vida Mona tivera medo do que poderia acontecer, esse momento era agora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Professora Simone Lindsor, paleo-alienista da universidade de Luyten. A senhora está um bocado longe de casa. – Mona estremeceu ao ouvir seu nome.&lt;br /&gt;- A senhora matou dois de meus homens, e feriu um terceiro.  Não que eu ache que isso é um problema muito grande, eram dois idiotas, mas a gente aqui tem um código que cada homem morto tem que valer uma morte também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ouvir essas palavras Mona começou a tremer descontroladamente.  Que tipo de morte eles estariam preparando para ela? Era apenas uma para vingar dois mortos. Iriam torturá-la antes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hamus  continuou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas uma pessoa como a senhora deve valer um bom resgate. Então, eu vou deixar você viver, pelo menos até que o resgate seja pago. – Ele riu, uma risada sacudida e rouca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas, eu ainda tenho que vingar a morte de meus dois homens. O que eu vou fazer ? -  Ele brincava com o medo de Mona, fazendo-a sofrer, e saboreando este sofrimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhando para o fundo da sala ele gritou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Simeão, me traz os dois escravos que a gente pegou ontem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois rapazes foram arrastados até o centro da sala.  Seus uniformes de cadetes da ConSortium estavam rasgados em vários pontos. Um deles tinha uma grande mancha de sangue seco na face. O mais velho deles não devia ter mais que vinte ou vinte e um anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha bem pra eles, porque esses dois agora vão morrer no seu lugar.  Digam seus nomes, idade e patente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os rapazes ficaram calados. Uma pancada nas costas jogou o que aparentava ser mais velho no chão e uma voz rosnou. – Responda quando Hamus  te perguntar alguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cadete Ian Flamariom, da força de apoio da ConSortium. Vinte e dois anos.&lt;br /&gt;- Obrigado cadete. E outro?&lt;br /&gt;- ....&lt;br /&gt;- Não ouvi, fale alto.&lt;br /&gt;- Ca- cadete João Augusto, senhor. E tenho dezenove anos. – sua voz tremia. O rapaz estava a ponto de cair no choro, e os piratas se divertiam com isso.&lt;br /&gt;- Bom cadetes, na verdade não tenho nada contra vocês dois, mas nós, piratas, temos um código de honra. Para cada homem morto nós matamos alguém em troca, e a moça a seu lado matou dois de meus homens. Como ela vale mais que vocês, meus homens vão matá-los no lugar dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jovem cadete João começou a chorar. Mona sentia se sentia impotente. Ela não queria ver aquilo, não queria carregar aquelas mortes na consciência. Eram rapazes tão jovens, não mereciam morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A um gesto de Hamus  dois piratas avançaram na direção dos rapazes e os fizeram ajoelhar, segurando seus braços para trás.  Um outro veio pela frente e, com uma espada nas mãos, golpeou a face do cadete Flamariom, o sangue começou a escorrer pelo corte, manchando o uniforme. Um outro golpe penetrou-lhe o peito, furando o pulmão. O rapaz  tentou se desvencilhar e jogou o corpo para o lado quando um golpe final lhe arrancou a cabeça, espalhando sangue pelo salão. O cadete João parou de chorar e, como que aceitando sua sina, esticou o pescoço para o pirata. O gesto não passou despercebido de Hamus , e com um aceno de cabeça ele indicou ao pirata para ser rápido. Um único golpe decepou a cabeça do cadete João, respingando sangue sobre Mona. Os corpos dos cadetes ainda se debatiam, no ultimo vestígio de vida que possuíam. Finalmente pararam. Os rapazes estavam mortos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pirata grande e sujo, com uma atadura no braço esquerdo avançou e falou quase aos berros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hamus , tudo bem que a cadelinha vai valer um dinheiro, mas eu acho que a gente pode, pelo menos se divertir um pouco, né? Deixa ela com a gente. Tem tempo que a gente não tem uma carne nova.&lt;br /&gt;- Há, há, há – Você ainda ta irado pelo tiro, né? Ta bom. E você pode ser o primeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um riso selvagem o pirata se adiantou para mona. Ela tentou fugir, mas dois braços a imobilizaram e a jogaram no chão.  Mãos fortes apertaram seus seios até ela berrar de dor. Mona se debatia e tentava chutar os piratas, mas eles riam e caçoavam. Ela sentiu arrancarem violentamente suas roupas e, num gesto instintivo, fechou as pernas com o máximo de força que possuía.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas tenazes de carnes a agarraram pelos joelhos e a imobilizaram. O pirata com o braço ferido deitou-se sobre seu corpo, impedindo seus movimentos. Ela sentiu uma dor terrível quando ele a penetrou e a feriu, mais na alma que no corpo. Sentiu o roçar da carne contra carne, queimando-lhe as entranhas, despedaçando o seu ser, destruindo sua humanidade. E, quando ele acabou veio outro e mais outro e mais, e mais. Já não sentia mais dor, estava anestesiada, vazia. Ali havia apenas um corpo, sujo, podre, imundo. Um corpo violado, sem vontade e sem vida. Quando acabaram de se divertir os piratas a jogaram de volta na sua cela imunda, agora mais limpa do que ela própria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mona vestiu as suas roupas rasgadas e se aninhou no canto mais escuro da cela. Ali ela chorou. E continuou a chorar quando a manhã iluminou a cela, onde agora já não se importava mais em estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---------------------------- * ----------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo do dia a porta se abriu por duas vezes, e em ambas um menino entrou, para lhe trazer comida, e depois para levá-la embora ainda intocada. Mona não se moveu durante todo o dia. Encolhida num canto da cela não conseguia parar de pensar no que ocorrera. Via os rapazes morrerem por sua causa. Sentia os golpes da espada, cortando a carne, quebrando os ossos. Ouvia o borbulhar do sangue espirrando pelas veias e artérias. Sentia o cheiro do sangue e do esperma. Ouvia os piratas rindo, se divertindo com seu corpo como se fosse uma boneca de plástico, um objeto de valor e sem vida. Via Hamus em sua grande cadeira, dono da vida e da morte. Lembrava-se do rosto dos outros homens que estavam na sala vendo sua violação. Seus risos ecoavam em sua cabeça. Lembrava-se das poucas mulheres presentes, seus rostos encobertos, seus olhares baixos, elas mesmas tão violentadas quanto a própria Mona. Não pareciam mulheres, mas sim espectros, seres sem vida e sem alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mona não viu quando a tarde caiu e a luz se foi e, no escuro quase total em que se encontrava ouviu os ratos roerem a sua comida. Também não viu a manhã surgir, os raios fracos do sol, filtrados pela pequena janela, avançarem por dentro de sua cela. Novamente o menino entrou, olhou para Mona com tristeza, mas nada falou. Trocou os pratos e partiu. O som das vozes dos piratas lhe chegava aos ouvidos como um ruído distante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novamente o menino veio trazendo uma pequena bandeja com comida e água. Ela se alimentou e matou a sede, e com um pouco da água tentou lavar uma parte do sangue que coagulava entre suas pernas. Sentia que tinha marcas roxas por todo o corpo. Passava os dias em um canto da cela, tremendo de pavor a cada som de passos. Mas ninguém veio procurá-la nesse dia, nem nos dias seguintes. A única pessoa que via era o menino, que lhe trazia comida. Os dias demoravam a passar, a falta de notícias e de esperanças a consumiam. No inicio Mona tentou marcar a passagem do tempo, mas depois de quinze dias ela desistiu de contar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa tarde fria, um mês depois de sua captura, a porta se abriu e por ela entrou Hamus, imponente e selvagem. Trazia nas mãos uma arma e Mona pensou com alívio que ele finalmente iria matá-la, mas ele apenas sentou-se no catre, olhou para a jovem e falou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Professora, Eu vou partir para um ataque. Não estarei por aqui nos próximos dias. A universidade ainda não respondeu ao pedido de resgate. Vou esperar uma resposta até a minha volta. Se até lá eles não responderem eu vou dar você para Mardonio. Eu dei ordem para ninguém chegar perto, então até minha volta eles não vão fazer nada contigo. Espero que a senhora tenha bons amigos em Luyten, por que senão, eu não me responsabilizo mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hamus esperou uma resposta, mas Mona não respondeu. Então, com um balançar de cabeça abriu a porta e partiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mona pensou horrorizada no futuro que a esperava. Ser entregue como serva de um pirata era pior que ser morta. Era ser torturada e violentada todos os dias enquanto vivesse. Por que Luyten não respondia. Eles sabiam que ela tinha o dinheiro para o resgate, que ela poderia pagar a eles quando voltasse. Estariam querendo puni-la? Será que sua vida valia tão pouco? E Malman? Por que não fazia nada para livrá-la daquele inferno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensou em Nhagha, em quando era uma menina que sonhava tanto em conquistas e viagens, que ouvia maravilhada as histórias de ML e se sonhava no lugar dele. Lembrou-se de seu pai e de seus irmãos, e mais do que tudo, de sua mãe. Queria estar com eles agora. Sentar na varanda do solar e ouvir as canções dos trabalhadores que voltavam dos campos. Essa lembrança lhe trouxe de volta um pouco do que ela era, e a fez sorrir por um instante. Depois a realidade voltou à sua mente e ela se encolheu mais um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte ela ouviu o som de uma dezena de naves partindo. Os piratas partiam para um novo ataque. A prisão onde se encontrava ficou ainda mais silenciosa, até o som de passos e vozes sumira. HÁ certa hora o menino entrou trazendo a comida. Desta vez ele sentou-se e observou Mona por um tempo. Depois tomou coragem e falou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Moça, eu posso fazer alguma coisa pra você?  Os piratas foram embora. Se você quiser, eu posso trazer uma coberta para você se aquecer.&lt;br /&gt;- Não quero nada, obrigada.&lt;br /&gt;- Precisa agradecer não.&lt;br /&gt;- Como você se chama? – perguntou Mona.&lt;br /&gt;- Sou Nino, e já tenho dez anos. – respondeu o menino com orgulho.&lt;br /&gt;- Dez anos? Você parece tão pequeno.&lt;br /&gt;- Tenho dez anos sim. Ta me chamando de mentiroso?&lt;br /&gt;- Não, só achei você tão magrinho e pequeno.&lt;br /&gt;- É por isso que me chamam de Nino. Minhas irmãs me chamavam de pequenino, quando a gente morava lá em Fidis.&lt;br /&gt;- Você tem família? Não é filho dos piratas?&lt;br /&gt;- Não. Eu vim pra cá quando era menorzinho. Os piratas atacaram minha vila. Eles mataram meu pai e depois fizeram com minha mãe igual fizeram com você. Mas ela morreu. E eles me trouxeram pra cá.&lt;br /&gt;- Você estava lá? - Perguntou Mona horrorizada.&lt;br /&gt;- Onde, no salão? Tava sim. Eu vi tudo. Eu fiquei no cantinho.&lt;br /&gt;- E suas outras irmãs? O que aconteceu com elas?&lt;br /&gt;- Não sei não. Eles levaram elas e depois eu nunca mais vi nenhuma. – Mona estremeceu ao pensar no que teria acontecido com essas meninas.&lt;br /&gt;- Você pode me ajudar a sair daqui?&lt;br /&gt;- Posso não. Os piratas iam me matar se eu fizesse isso.&lt;br /&gt;- Ta, desculpa.&lt;br /&gt;- Precisa pedir desculpa não moça. Eu sei que você quer sair daqui, mas se eu soltar você eles me matam. Agora tenho que ir, senão o Morrões vai brigar. Tchau&lt;br /&gt;- Tchau Nino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mona tentou comer alguma coisa. Depois se deitou no catre e dormiu. Na manhã seguinte sentia-se melhor. Um pouco de esperança havia surgido. Quem sabe aquele menino não poderia ajudá-la a fugir. À tarde Nino trouxe uma coberta junto com a comida. Mona puxou conversa. O menino lhe contou que estavam em ER-1243, um planetóide próximo à estrela de principal da constelação de Vega. Era um planeta recente, onde a terra formagem ainda não tinha sido concluída. Os piratas mataram os colonizadores e tomaram conta do planeta, fazendo dele a sua base de operações. Fora o ambiente era extremamente hostil. As chances de sobrevivência fora da base eram bem pequenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos dias que se seguiram Mona e Nino conversaram muito. Para um menino com apenas dez anos de idade Nino tinha muito que falar. Pelo que pode compreender ele havia sido raptado de sua aldeia quando os piratas fizeram um ataque surpresa, mataram seus pais e escravizaram suas duas irmãs. Desde então ele vivia neste pequeno mundo, fazendo serviços para os piratas. Levava comida para os presos, recados para os piratas e entre as mulheres escravas que viviam na base. Sobre esse assunto Mona lhe perguntou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E essas mulheres? Quem são?&lt;br /&gt;- Ah, elas são escravas que os piratas pegam quando atacam uma aldeia e trazem pra cá. A maioria não dura muito. Só a Gilvana é que já ta a um tempo. O resto morre rápido. Aí eles saem e trazem mais.&lt;br /&gt;- Mas elas, onde moram? Elas ficam com os piratas?&lt;br /&gt;- É, cada um tem umas duas ou três. Só o Hamus é que não tem nenhuma. Ele sempre dá as mulheres pros outros.&lt;br /&gt;- Que estranho. Ele não parece o tipo de homem que tem algum escrúpulo.&lt;br /&gt;- O povo diz que ele prometeu nunca mais ficar com uma mulher depois que a mulher dele morreu. Eu já ouvi as mulheres falando que ele virou pirata por causa disso. Pra se vingar de terem matado a mulher dele.&lt;br /&gt;- Será que tem como eu sair daqui?&lt;br /&gt;- Não tem não. Senão nem eu ficava. Lá fora não dá pra ir, e quando os piratas não estão na base eles levam todas as naves. só ficam as que não podem voar. Que estão com defeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mona passou o dia pensando em como fugir dali. A perspectiva de se tornar mulher de pirata não lhe agradava nem um pouco e os dias estavam passando. Em breve Hamus e sua tropa estariam de volta e seu destino seria decidido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---------------------------- * ----------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suas conversas com Nino foram aos poucos trazendo a Mona um laivo de esperança. A criança, que tão jovem já havia sofrido tanto, e que apesar disso se agarrava à vida com todas as suas forças, fazia com que Mona refletisse sobre tudo o que já vivera até então. Sim, é verdade que fora violentada de forma vil. Que fora reduzida a menos que o nada, mas estava viva e isso significava muita coisa. Sabia que podia reagir e , quem sabe, fugir deste lugar, levando o pequeno Nino consigo, para dar a ele uma vida um pouco melhor. Mona sentia agora que não poderia ir embora e deixar Nino para trás. O melhor a fazer seria aproveitar a ausência dos piratas e fugir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, quando Nino veio trazer a comida, Mona falou;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nino, o que você acha de nós dois fugirmos daqui.&lt;br /&gt;- Não dá pra fugir não. Fora da base não tem nada e aqui não tem nenhuma nave pra levar a gente.&lt;br /&gt;- Você me falou que tinham umas naves velhas. Será que não tem nenhuma que consiga levar a gente pelo menos até algum planeta próximo?&lt;br /&gt;- Bom, tem a nave do Morrões, mas ela ta sempre trancada e o cartão fica no casaco dele.&lt;br /&gt;- Isso ! Eu devia ter pensado que esse Morrões tem uma nave.&lt;br /&gt;- Mas o cartão de ativamento fica com ele o tempo todo. Não tem como fazer ela funcionar sem o cartão.&lt;br /&gt;- Então você vai me ajudar a pegar o cartão. – disse Mona confiante.&lt;br /&gt;- Eu ! Eu não. Depois o Hamus me mata.&lt;br /&gt;- Não, você vai comigo. A gente foge daqui junto.&lt;br /&gt;- Não faz isso não moça. Eu não vou fazer nada disso, não. – Respondeu Nino apavorado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rapidamente ele pegou a bandeja de comida e saiu da cela, deixando Mona sozinha e pensativa.  Temia ter deixado a sua ansiedade colocar tudo a perder. Nos próximos dias Nino mal a olhou, se limitando a colocar e retirar as bandejas. O tempo passava e a qualquer momento Hamus poderia estar de volta. Era necessário fazer alguma coisa rapidamente.&lt;br /&gt;Três dias depois o desespero começou a tomar conta de Mona. Tinha que tomar uma atitude. Essa talvez fosse a melhor oportunidade que ela teria para se libertar. Nessa tarde Mona resolveu romper o silencio de Nino, a qualquer preço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nino, preciso falar com você. – Disse Mona em um tom que não permitia contestação.&lt;br /&gt;- Preciso que você faça uma coisa para mim. Tudo bem que você não queira se envolver, mas me arruma uma faca. Só te peço isso. O resto é comigo.&lt;br /&gt;- Você vai fugir?&lt;br /&gt;- Vou pelo menos tentar. Não vou ser dada como escrava para nenhum pirata. E se você quiser vir comigo, esteja pronto para fugir a qualquer momento. Você faz isso para mim?&lt;br /&gt;- Se eles me pegarem eles me matam.&lt;br /&gt;- Não tem ninguém aqui para te pegar. Diz que vai trocar a coberta e traz a faca escondida dentro dela. Você me traz ela hoje à noite?&lt;br /&gt;- Vou tentar.&lt;br /&gt;- Obrigado, Nino. Nós vamos sair daqui e eu vou levar você para uma casa de verdade. Você vai poder estudar e ter um futuro na vida.&lt;br /&gt;- Ta. Vou tentar. Tchau&lt;br /&gt;- Tchau Nino. Confio em você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resto da tarde demorou muito a passar. Os minutos pareciam demorar horas. Finalmente a criança veio trazer o jantar, e encoberta por um livro uma adaga, com uma bela lâmina trabalhada, com inscrições marcadas a fogo e um cabo de metal reluzente. Uma arma de colecionador. A lâmina tinha pelo menos vinte e cinco centímetros de comprimento. Mona a admirou por alguns instantes antes de esconde-la dentro da camisa. Sentia o metal frio contra sua pele e estremeceu ao pensar no que faria mais tarde. Sabia que não podia fraquejar. Não disse nada. apenas olhou bem fundo dentro dos olhos do menino, como se estivesse lendo a sua alma, e depois lhe beijou na testa. O pacto entre eles estava selado. Nessa noite Mona dormiu muito bem. Sabia o que tinha que fazer e estava confiante de que o faria bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte Mona agiu como se nada tivesse acontecendo. Depois que Nino partiu com a bandeja de comida, a moça se recostou no catre e aguardou o melhor momento para executar seu plano. No inicio da tarde ela ouviu os passos pesados do seu carcereiro e soube que havia chagado a hora. Chamou-o com a voz mais doce que pode fazer. A adaga parecia queimar nas suas mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ei, olá. Será que você poderia me ajudar um instante?&lt;br /&gt;- Que é, dona? Ta precisando de que? – A voz rude do velho pirata lhe doeu  nos ouvidos.&lt;br /&gt;- Está muito quente aqui. Você não poderia abrir um pouco o respirador? Eu tentei, mas é muito pesado pra mim. – Disse candidamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa hora Mona parecia uma menininha. O pirata se compadeceu da jovem, que lhe parecia tão frágil e só, jogada nessa cela imunda há tanto tempo. Ela lhe lembrava sua neta, e isso era uma lembrança boa que ele tinha da vida. Sem pensar no que poderia acontecer, Morrões abriu a cela e se aproximou. Pensou em falar umas palavras amigas para a menina que estava à sua frente, mas estas ficaram apenas na intenção. Sentiu a adaga penetrando o seu peito de baixo para cima, rasgando a carne e cortando as veias que irrigavam seu coração. Um segundo depois sentiu a ponta da faca picar-lhe o seu órgão mais vital. Sentiu o momento que a menina, num impulso, enfiou a faca mais um pouco dentro do seu corpo, cortando-lhe o miocárdio e penetrando seu ventrículo esquerdo. Imediatamente as forças começaram a lhe faltar e ele viu horrorizado seu sangue esguichar sobre a camisa da sua prisioneira, a mesma moça que lembrava sua neta. Sentiu a visão embaçar e sair de foco. Seus ouvidos retumbavam como se milhares de tambores tocassem dentro de sua cabeça. Tentou falar alguma coisa, mas a voz estava presa na garganta. Tentou andar, agarrar aquela moça e dizer para ela que não precisava ter feito isso, mas já não tinha mais controle sobre o seu próprio corpo. Vinte segundos após a facada o velho Morrões desabava pesadamente no chão da cela. Estava morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mona não parou para pensar muito no que tinha feito. Agora o tempo corria desenfreado. Tinha que achar o cartão da nave, buscar Nino, e partir deste planeta maldito antes que Hamus e sua turma voltassem. Rapidamente vasculhou o corpo. Pegou o cartão, a arma e a chave que lhe abriria as portas até o hangar. Já se voltava para sair da cela quando ouviu um ruído. Nino estava parado sob a soleira, olhando o corpo jogado no chão. Ao seu lado uma mulher muito magra se apoiava nos ombros da criança. Era baixa e muito branca. Possuía grandes olhos amarelados e cabelos castanhos que lhe caiam até a cintura. No instante em que a viu  Mona pensou em uma cobra, aquele lendário ser rastejante de quem o padre da aldeia vivia falando. Quando abriu a boca, foi uma voz desagradável e cheia de malicia que soou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pelo jeito a mocinha acha que vai a algum lugar.&lt;br /&gt;- Saia da minha frente, seja você quem for.- respondeu Mona apontando a faca para a estranha mulher.&lt;br /&gt;- Eu sou Gilvana, mulher de Antonius. E pode ficar tranqüila, não vou te atrapalhar. Pode ir se quiser. Só queria te dizer que você não vai muito longe, he, he, he,  Hamus já está quase pousando. E ele não vai ficar nem um pouco feliz de ver o que você fez com o tio dele. – A megera deu uma risadinha sarcástica.&lt;br /&gt;- Sai da minha frente. Vamos Nino, temos que correr.&lt;br /&gt;- Mas o Nino não vai a lugar nenhum. O lugar dele é aqui e daqui ele não sai. Se você quiser ir é problema seu, mas ele não vai.&lt;br /&gt;- Nino, vamos comigo. Temos que correr para partir antes do Hamus chegar. Vamos logo.&lt;br /&gt;- Eu não posso. – respondeu chorando. – Eu não posso ir.&lt;br /&gt;- Mas por que?&lt;br /&gt;- Porque EU sou a mãe dele, e EU estou dizendo que ele vai ficar.&lt;br /&gt;- Mas Nino, você me disse que sua mãe estava morta. – Mona estava cada vez mais confusa.&lt;br /&gt;- Ela mandou. Ela disse pra eu contar isso pra você. – a criança agora chorava em prantos.&lt;br /&gt;- É, eu mandei , e você caiu direitinho, né? Eu imaginei que uma doutora como você ia se comover com as historias do menino. Depois foi só fazer ele dizer da nave, arrumar a faca, e tudo pronto. Agora Hamus vai chegar e quando ver seu tio morto ele vai mandar te matar, sem nenhuma pena. Você não imagina o que o Hamus é capaz de fazer quando está zangado. Ele vai mandar arrancar suas pernas e deixar você sangrar até a morte.&lt;br /&gt;- Mas porque você fez isso? Por que você quer que ele me mate? O que eu te fiz?&lt;br /&gt;- Ora mocinha. Desde que você chegou os homens só estão falando de você. E esses piratas podem ser muito valentes no espaço, com uma nave ou com uma arma na mão, mas aqui quem manda somos nós. E eu não pretendo deixar que nenhuma mocinha bonita mande no meu lugar.&lt;br /&gt;- Você é louca. Agora sai da frente. Nino vem comigo. – Mona agarrou a criança pelo braço e a puxou para perto si. Gilvana não disse nada, mas um brilho de maldade reluziu nos seus olhos.&lt;br /&gt;- Aí. - Gemeu a criança.&lt;br /&gt;- Vamos, vamos embora daqui. Para onde fica o hangar?&lt;br /&gt;- Pra esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saíram numa corrida desabalada pelos corredores da base, Mona mal percebia que carregava Nino no colo. Finalmente chegaram ao hangar principal. A cúpula já estava aberta, indicando que alguma manobra de pouso estava em andamento. Os piratas chegavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nino cadê a nave?&lt;br /&gt;- Ali, no canto&lt;br /&gt;- Tô vendo, vamos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mona ia torcendo para que a nave estivesse pronta para partir. Não teriam muito tempo antes das primeiras naves entrassem pela cúpula e depois que eles chegassem seria ainda mais difícil fugir. Mona passou o cartão de ativamento na ranhura da porta e entraram antes mesmo desta terminar de se abrir. Ela deixou o menino na cabine principal e correu para a cabine de comando, onde ativou a nave e iniciou o procedimento de partida. A nave flutuou um pouco sobre os jatos inferiores e quando alcançou a altitude de vôo Mona ligou os jatos traseiros e apontou para o topo da grande cúpula de metal que cobria a base dos piratas. Transferiu toda a energia possível para os escudos dianteiros e o restante para o motor. Não pretendia atirar em ninguém agora, precisava de velocidade e de proteção. Acionou o propulsor principal e partiu em velocidade máxima, quase se chocando com a primeira nave dos piratas que chegava na base. Viu pelos visores traseiros que diversas naves manobraram e partiram no seu encalço. Transferiu a força dos escudos dianteiros para os traseiros e torceu para que esta velha nave fosse rápida o bastante para fugir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---------------------------- * ----------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente a nave não era lá grandes coisas. Mona observou pelo visor traseiro que as naves inimigas se aproximavam cada vez mais. Sabia que com aquela nave só poderia escapar usando mais a astúcia que a força. Era apenas uma, em uma lata velha, contra seis ou sete perseguidores, com naves modernas e armas potentes. Virou-se na cadeira e berrou para Nino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Segure-se aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estranhou a falta de resposta, mas não tinha tempo para ir ver se a criança estava bem. Agora tinha que se livrar dos inimigos.  Esperou até que os piratas estivessem bem perto e numa manobra arriscada girou a nave, mudando rapidamente de direção, e acionou os propulsores na carga máxima, investindo diretamente contra as naves inimigas.  Não esperou a mira travar e acionou o gatilho disparando uma carga de mísseis contra a nave mais à esquerda. O sintetizador fez soar dentro da cabine a simulação do que seria o som da explosão. Seu visor explodiu em uma miríade de cores quando a nave pirata incendiou e de partiu em pedaços.  Mona acelerou mais ainda, transferindo toda a carga de escudos para a porção traseira.  Sabia que isso era arriscado, mas não via outra opção.  As naves inimigas se separaram em duas equipes para tentar cercar Mona. Três naves continuaram a perseguição, atirando contra a nave fugitiva. Mona sentia o impacto dos tiros resvalando no escudo traseiro. As outras duas naves circularam o grande asteróide, na tentativa de cercar Mona, como fizeram na sua captura.  Mas Mona não era tão tola a ponto de cair na mesma armadilha duas vezes. Ela rapidamente traçou seus planos e tratou de colocá-los em prática. Girou a nave na direção das duas que estavam próximas ao asteróide e acelerou. Viu satisfeita que as três naves que a perseguiam seguiram seu movimento e permaneceram na sua cola. O alarme tocava ruidosamente, seus escudos estavam no limite. Se a manobra não desse certo só lhe restaria jogar a nave contra o asteróide.  Aproximou-se em altíssima velocidade das naves que a esperavam. Sabia que se elas começassem a atirar sua nave não resistiria.  no ultimo segundo acionou o gatilho e girou o manche, fazendo a nave rodopiar, numa pirueta. Acionou os retro-foguetes, numa tentativa desesperada de anular a inércia e trocar de direção. Pelo visor lateral viu a nave inimiga se aproximar da sua aleta esquerda e, atrás dela o asteróide. Acionou o propulsor esquerdo em carga máxima e reduziu a carga do propulsor direito. A nave girou sobre o próprio eixo e no instante seguinte Mona jogou carga máxima no propulsor direito, estabilizando a nave e rumando para longe do asteróide. O sintetizador berrou o som de uma explosão próxima. Seus perseguidores se embaralharam numa confusão de naves, fogo e metal retorcido. Pelo menos duas das naves que a perseguiam não conseguiram girar e se chocaram contra as duas que a esperavam. Mas onde estava a última nave? Ela não explodira, Mona tinha certeza de que a vira sair ilesa da explosão. Mona verificava alucinadamente os visores, sensores, radar e não via nem sinal da nave inimiga. Sabia que não estava louca. Que ela tinha que estar em algum lugar, preparando o bote, para feri-la de morte. Por via das dúvidas Mona mudou de direção e seguiu rumo a um planeta visível à distancia. Assim que estivesse longe o suficiente dos corpos celestes que a circulavam mandaria o computador executar uma série de micro-saltos, que a levassem pelo menos há um dia-luz dali. Os músculos dos seus ombros se retesavam como a corda de um arco. Sentia o suor escorrer por suas costas.  Balançou a cabeça, na tentativa de aliviar um pouco a tensão, e verificou novamente os visores. Continuava sem sinal da nave pirata.&lt;br /&gt;Mona viajou por mais cerca de duas horas-padrão sem sinal dos seus perseguidores. Dentro de mais algum tempo seria capaz de realizar a série de micro-saltos que a levariam até o portal  Vega-Procyon. Refez os cálculos e preparou o piloto-automático para realizar a tarefa. O silêncio de Nino começou a preocupá-la. Deu uma ultima verificada nos visores e, como não viu sinal do inimigo, levantou-se para ir ver como estava o menino. Mona o encontrou jogado no chão da cabine principal. Uma gosma esverdeada escorria-lhe pelo canto da boca.  Aproximou-se vagarosamente, e colocou sua cabeça no colo. Um filete de lágrimas escorria dos olhos de Mona. Nino estava morto, abatido pela maldade de sua própria mãe. Uma pequena incisão no braço da criança mostrava onde ela lhe havia envenenado, provavelmente no momento que Mona o puxara para que fugissem.&lt;br /&gt;Como uma mãe podia sacrificar seu próprio filho dessa forma? Será que tudo que é bom no universo tem que ser destruído pela maldade dos seres humanos? Que mal aquela criança havia feito para merecer isso? Encostada na parede da cabine, com a cabeça de Nino no colo, Mona chorou.  Chorou por Nino, chorou pelos jovens oficiais que tinha visto serem sacrificados em seu lugar, chorou por tudo que havia acontecido com ela desde que encontrara os piratas há pouco mais de dois meses. Dois meses que a marcariam para toda a sua vida.  O alarme soou avisando que iria iniciar os micro-saltos. Lentamente ela levantou-se, colocou Nino sobre a cama e caminhou para a cabine de comando a fim de executar pessoalmente os saltos. Algumas horas depois Mona chegou ao portal que a levaria para longe do inferno. Mas ela sabia que voltaria. Uma parte dela estava presa a Vega.&lt;br /&gt;Antes de partir de Vega mona envolveu o corpo de Nino em uma pequena mortalha e o lançou no espaço.  Sentia o coração duro e frio.  Finalmente executou o salto para Procyon e de lá para Fidis. Tudo lhe parecia sem sentido, tinha a clara noção de que havia perdido o melhor que havia dentro de si. Olhou-se no espelho e não viu mais a Mona que havia saído da Escola de paleo-alienismo de Lucyen. Esta havia morrido no inferno. Ao entrar na atmosfera de Fidis ela cedeu ao cansaço e deixou a nave se chocar violentamente no espaço-porto. Acordou dias depois na casa de Malman.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---------------------------- * ----------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao terminar seu relato Mona virou-se. Lágrimas escorriam por seu rosto. Soluços a sacudiam e faziam seu corpo magro dobrar-se em dois. Sem querer foi aos poucos escorregando pela parede e deitou-se no chão duro e ali ficou, chorando. Gorgéa a olhava e com sua voz suave tentava dar àquela moça, àquela criança que já havia sofrido tanto, um pouco de alento.  Juntas choraram todas as dores que haviam sofrido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1553956385968446220-3044358739363476170?l=mlsevero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mlsevero.blogspot.com/feeds/3044358739363476170/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1553956385968446220&amp;postID=3044358739363476170' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1553956385968446220/posts/default/3044358739363476170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1553956385968446220/posts/default/3044358739363476170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mlsevero.blogspot.com/2008/08/mona-captulo-4-pt-3.html' title='Mona - Capítulo 4 - pt 3'/><author><name>Marcio Severo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11239858084654660451</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKT4bldFdCI/AAAAAAAAAE0/DLnUj70qwxs/S220/lobosolitarioavat.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1553956385968446220.post-4792854328988585375</id><published>2008-08-13T08:54:00.000-07:00</published><updated>2009-04-27T21:07:52.216-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amor e Dor'/><title type='text'>Alegria</title><content type='html'>&lt;em&gt;“Vento solar e estrelas do mar,&lt;br /&gt;a terra azul da cor de seu vestido.&lt;br /&gt;Vento solar e estrelas do mar,&lt;br /&gt;você ainda quer morar comigo”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5234034925468025906" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKMHCJqChDI/AAAAAAAAADY/k7kgH23Krn0/s320/228087.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt; Esse texto foi transferido para &lt;a href="http://www.mssi.com.br/"&gt;www.mssi.com.br&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1553956385968446220-4792854328988585375?l=mlsevero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mlsevero.blogspot.com/feeds/4792854328988585375/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1553956385968446220&amp;postID=4792854328988585375' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1553956385968446220/posts/default/4792854328988585375'/><link 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scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amor e Dor'/><title type='text'>Ausência de Você</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKJP_R9KXlI/AAAAAAAAADQ/EnuanNDOFpM/s1600-h/untitled.bmp"&gt; Esse texto foi transferido para &lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.mssi.com.br/"&gt;www.mssi.com.br&lt;/a&gt; &lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1553956385968446220-105032056248242277?l=mlsevero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mlsevero.blogspot.com/feeds/105032056248242277/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1553956385968446220&amp;postID=105032056248242277' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' 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Capítulo 1 - Parte 1</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKCMpNSdx6I/AAAAAAAAAA0/QMjsM-Lzlpo/s1600-h/Spaceship_by_Rx329.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233337406574151586" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKCMpNSdx6I/AAAAAAAAAA0/QMjsM-Lzlpo/s400/Spaceship_by_Rx329.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;p align="justify"&gt; Esse texto foi transferido para &lt;a href="http://www.mssi.com.br/"&gt;www.mssi.com.br&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1553956385968446220-6378477339803184217?l=mlsevero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mlsevero.blogspot.com/feeds/6378477339803184217/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1553956385968446220&amp;postID=6378477339803184217' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1553956385968446220/posts/default/6378477339803184217'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1553956385968446220/posts/default/6378477339803184217'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mlsevero.blogspot.com/2008/07/o-ataque-parte-1.html' title='O Ataque - Capítulo 1 - Parte 1'/><author><name>Marcio Severo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11239858084654660451</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_Q2gSu8XXngM/SKT4bldFdCI/AAAAAAAAAE0/DLnUj70qwxs/S220/lobosolitarioavat.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' 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